Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 20/09/2020

Pierre Bourdieu dizia que aquilo que foi criado para democracia não deve tornar-se instrumento de opressão. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o uso da era digital para oprimir o próximo, com o fito de haver uma “militarização” sob um ato polêmico de um indivíduo. Dessa forma, é fulcral debater e propor uma reflexão sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, tendo em vista que esse cenário antagônico é fruto tanto da insuficiência de leis, quanto da má influência midiática.

Diante disso, vale ressaltar que essa problemática deriva da insuficiência de leis no que concerne à punição para aqueles que, de alguma forma, denigrem, atacam e alimentam uma cultura que oprime o próximo. Congruente a isso, segundo o pensador Thomaz Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre na sociedade brasileira no que tange a atos maléficos na internet, uma vez que a falta de lei sobre crimes virtuais leva à impunidade.

Mormente, pontuar a má influência midiática faz-se necessário, uma vez que essa problemática é fruto de notícias mal colocadas nas mídias sociais, com o propósito de passar informações eloquentes, porém ardilosas. Analogamente, de acordo com a revista Veja, Lívia Andrade, apresentadora do SBT, acusou a Igreja Universal do Reino de Deus de vender álcool em gel ungido para os fiéis com um valor estimado em 500 reais, todavia, a apresentadora expôs a notícia sem haver um embasamento fundamentado. Com isso, causou grande revolta na internet, alimentando a ira da população contra a instituição religiosa.

Em síntese, ressalta-se a relevância em haver medidas exequíveis para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessa forma, com o intuito de atenuar essa cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, necessita-se, de leis mais consistentes que, por intermédio do poder judiciário puna aquele que denegrir ou oprimir outro indivíduo por motivos fúteis e sem fundamentos. Ademais, torna-se essencial propor debates nas escolas sobre esse tópico, posto que um movimento de conscientização desde o ensino fundamental até o ensino médio é imprescindível, principalmente quando se trata de assuntos que abrangem a era tecnológica e seus efeitos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da problemática, pois, como defendeu Marthin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo.”