Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 20/09/2020
Com o advento da internet juntamente com a globalização, o ser humano encontrou uma maneira de expor suas opiniões de modo público, estando sujeito a ideias contrárias às suas. Mas com a chamada cultura do cancelamento, opiniões divergentes assumiram um papel ditatorial, excluindo o ato de diálogo e aprendizado por parte de quem “errou”.
De acordo com o pensamento do filósofo empirista John Locke, o homem é uma tábula rasa, que aos poucos é preenchida pelas suas experiências no mundo. Esse modelo sustenta o fato de que o ser humano está em constante desenvolvimento, errando e aprendendo com seus erros, devendo estar aberto a explicações e ensinamentos. Na internet, os usuários estão expostos ás opiniões contrárias das suas, porém a face maléfica da “cultura do cancelamento” se dá em virtude da pessoa que está sendo julgada não ter o direito à evolução e ao aprendizado, muitas vezes até mesmo baseado em erros do passado. Isso acaba abolindo qualquer tipo de diálogo, onde os ataques alheios se sobressaem à uma conversa.
Outrossim, apesar do conceito de que o usuário aprenda com seus erros e redima-se pelos mesmos, como em casos de preconceitos e ferimento dos direitos humanos, não é sempre que essa cultura é aplicada na vida real. Muitos acabam recebendo ódio dentro do cenário virtual, mas não são punidos em sua realidade (principalmente pessoas de classes não oprimidas), o que não gera um impacto real no erro cometido.
Assim, se observa que a cultura do cancelamento não está em equilíbrio com o direito de evolução. Palestras, matérias e trabalhos abordando o tema podem ser aplicadas em âmbito escolar e trabalhista, mostrando o lado negativo dessa ação, mas também ensinando uma maneira de aplicação correta dela, caminhando para que essa cultura assuma um caráter educativo dentro e fora da internet.