Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 19/09/2020
No passado, o filósofo Thomas Hobbes escreveu em uma de suas teses que o lobo do homem é o próprio homem, afirmação que encaixa-se nos dias atuais, em que a sociedade julga os demais sem analisar o erro particular. Análogo a isso, há alguns anos, surgiu o movimento conhecido como “cultura do cancelamento” que evidencia a prática de sentenciar ações ditas erradas. No entanto, este posicionamento tem gerado controvérsias ao, inconscientemente, prejudicar tanto o emocional quanto o mental e anular a tentativa de evolução humana.
É válido ressaltar, a princípio, que a sociedade contemporânea não está apta para julgar ou cancelar pessoas por suas ações já que não têm noção dos danos que podem gerar com as palavras. Prova disso pode ser evidenciado pelo recente caso da blogueira brasileira, Virgínia Wanderley, que depois de aglomerar durante a quarenta e gravar vídeos debochando da situação foi extremamente julgada e ameaçada de diversas formas nas redes sociais. A partir disso, a blogueira expôs em seu instagram mensagens que recebia sendo ameaçada de morte e se pronunciou sobre sua depressão e desejo de suicídio. Assim, é evidente a necessidade de reavaliar a cultura do cancelamento e o que as palavras podem impactar na vida de alguém.
Nesse contexto, torna-se necessário destacar que a sociedade brasileira ainda se encontra em retrocesso no quesito perdoar e aceitar a evolução humana. Tem-se como evidencia, ficcionalmente, a série espanhola “Elite” que retratou em alguns episódios, de forma depreciativa, a rotina do personagem Polo que foi extremamente ameaçado após, acidentalmente, matar uma amiga do colégio e este, mesmo tentando se redimir e mostrar que evoluiu, não foi perdoado. Assim, fora da ficção, atos como este são bem presenciados e, a partir disso, é necessário buscar alternativas para efetivar a tentativa de aceitar a evolução humana já que todos estão sujeitos a erros.
Portanto, primeiramente, cabe ao sistema educacional apresentar meios para a reeducação de como tratar o próximo por meio de palestras e debates em escolas sobre a cultura do cancelamento e as consequências deste, além de alertar sobre o que expõem nas redes sociais - haja vista que os veículos de comunicação têm sido locais de diversos julgamentos - a fim de que se preserve a saúde mental dos demais. Ademais, é necessário, a partir de pequenas ações, a educação dos filhos em casa sendo ensinado desde pequeno a perdoar e entender que a sociedade é feita de erros e evoluções. Assim, divergir e melhorar, coletivamente, o que foi escrito por Thomas Hobbes em sua tese sobre o homem ser o lobo dele próprio.