Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 18/09/2020
A cultura do cancelamento tem sido a grande discussão nas redes sociais, mas as pessoas responsáveis por cancelar os outros acabaram proporcionando uma hipocrisia, pois não é mais necessário ter cometido um crime para ser cancelado.
Por um grande período, o cancelamento realmente obteve resultados positivos, porém aos longos dos meses, é perceptível um grande alastramento para o linchamento virtual. Além disso, o motivo de alguém ser cancelado passou a ser fútil, porque, na maioria das vezes, os cancelamentos ocorrem com um espaço de tempo muito grande. Por exemplo, a biografia de Raul Seixas foi publicada 30 anos após a sua morte e afirmou que ele teria entregado o amigo Paulo Coelho aos militares durante a Ditadura Militar. Porém, quase um ano depois do cancelamento, a Folha de São Paulo revelou documentos que apontam que, na verdade, tudo pode não ter passado de um mal-entendido.
Ainda mais, a falta de interpretação pode gerar uma repercussão enorme, fugindo totalmente do controle. Nessa perspectiva é possível observar que as pessoas estão se baseando muito mais em achismos e generalizações. Houve muitos cancelamentos de pessoas totalmente desnecessário e isso pode ocorrer, para os indivíduos que cancelaram, se sentirem superiores, para se mostrar que não é alguém ruim só porque cancelou uma pessoa que cometeu um erro. A enorme proporção do cancelamento originou uma ideia na cabeça de grande parte dos ‘‘militantes’’ da internet que ser cancelado é pior do que as mudanças nas estruturas que geram esse tipo de comportamento.
Por fim, a cultura do cancelamento cresce cada vez mais e até algumas vezes de maneira injusta. Então o que seria recorrente é os donos das plataformas digitais gerarem limites nas publicações das pessoas ofendendo umas as outras, estabelecendo o apagamento automático da conta do usuário que insultar de maneira explícita outro desfrutador da rede social. Assim controlando mais a situação do cancelamento.