Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 18/09/2020

Na Idade Média, a Inquisição era um mecanismo de punição contra as pessoas que contrariavam  a Igreja católica. Naquela época, milhares de medievais foram censurados e condenados à morte como uma forma de cancelamento social. Analogamente, hodiernamente, torna-se evidente o predomínio de meios de intimidação que visam o controle e a perseguição do indivíduo considerado errado. É a cultura do cancelamento que se modernizou e, atualmente, atua ,sobretudo, no âmbito virtual. Sendo assim, o individualismo e a padronização de opiniões estão dentre os principais problemas relacionados ao tema. Desse modo, são necessárias medidas que eliminem esta prática na sociedade contemporânea.

Inicialmente, destaca-se o meio social individualista. Consoante o sociólogo Zygmunt Bauman, o mundo vivencia a chamada “modernidade líquida”, na qual o ideal de coletividade e solidariedade é substituído pelo individualismo. Da mesma forma, esse ideal se constitui como explicação da cultura do cancelamento. Nesse caso, as pessoas pensam somente em si e não se importam com o bem-estar do próximo na medida em que não dialogam com ele, para que haja mudança, caso tenha feito algo de errado. Isso se exemplifica quando usuários das redes sociais boicotam algum artista por não concordarem com seus atos, sem ao menos dar a ele oportunidade de se explicar. Por consequência, o “linchamento virtual” é usado mais como uma forma de julgamento do que como meio de correção.

Ademais, convém lembrar acerca da padronização de opiniões. O filósofo Michael Foucault usa o temo “Panóptico” para explicar um modelo de prisão com formato circular, onde todos os presos podem ser vistos e controlados da torre principal. Semelhantemente, no meio virtual há uma intensa observação das atitudes dos indivíduos com o objetivo de punir o que for errado. Entretanto, tal situação pode ocasionar a alienação das massas, visto que, por medo de serem “canceladas”, as pessoas buscam agradar o público e falam somente o que ele quer ouvir. Isso sustenta mentiras e torna as relações sociais ainda mais superficiais. Destarte, a cultura do cancelamento é maléfica à sociedade.

Logo, alternativas devem ser apresentadas para a resolução da problemática que envolve a cultura do cancelamento na contemporaneidade. Para tanto, as empresas de redes sociais - tais como Instagram, Facebook e Twitter - devem realizar campanhas por meio de vídeos e postagens nas redes que tratem do assunto , com o objetivo de conscientizar os usuários a terem solidariedade na rede e, assim, não recorram ao ato do cancelamento. Além disso, elas precisam promover “hashtags” contra o cancelamento, com o intuito de promover livre expressão das opiniões públicas. Com essas ações, provavelmente, haverá o fim da cultura do cancelamento, resquício dos tempos medievais.