Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/09/2020
Giordano Bruno, pensador do século XVII, foi condenado pela igreja católica, por apresentar ideias que confrontavam o dogma eclesiástico. Notadamente, uma forma de cancelar o pensamento contrário. Nesse sentido, observa-se, mesmo com o recorte de tempo, uma cultura de cancelamento na sociedade contemporâneo. Desse modo, ao analisar, no tecido social, as ferramentas de tal conjuntura, verifica-se não só um sistema educacional deficitário, mas também a falta de efetivação das garantias constitucionais.
A princípio, o professor Paulo Freire dissertou sobre a pedagogia libertadora, uma alusão à educação crítica a serviço da transformação social. No entanto, ao perceber os efeitos negativos da cultura de cancelamento que estão relacionados, comumente, em dirimir o pensamento divergente sobre um dado tema, nota-se uma sociedade distante da pedagogia de Freire. Tal comportamento, por sua vez, não é salutar para o progresso do conhecimento, uma vez que correntes filosóficas foram caracterizadas, em sua grande maioria, por pensadores com olhares diversos, a Escola de Frankfurt, na Alemanha, é um bom exemplo. Dessa maneira, visualiza-se um sistema educacional deficitário, o qual não dialoga com as ideias freirianas e, portanto, não consegue formar cidadãos propensos ao debate.
Outrossim, a partir da interpretação da Constituição Cidadã, entende-se que é dever do Estado garantir a pluralidade de opiniões. Entretanto, a realidade expõe uma contrariedade. Esse paradoxo expressa-se, na verdade, à medida que não há políticas públicas eficientes, com o fito de demonstrar ao corpo social que tal ato possui a capacidade de dirimir o debate, como já supracitado, e, assim, mitigar o pensamento democrático- caracterizado pelo embate ideológico. Nessa perspectiva, os fatos expostos ecoam o Enigma da Modernidade, do filósofo Henrique de Lima, o qual explicita que, apesar de a sociedade ser avançada em suas razões teóricas, é primitiva em suas razões éticas. À vista disso, a dissonância da Carta Magna e a narrativa factual precisa ser solucionada.
Logo, é fundamental que o Poder Executivo venha, por meio do debate com o Ministério da Educação, realizar uma reforma educacional, a fim de que haja a formação de indivíduos mais propensos ao debate. Posto isto, é importante que tal ação foque, principalmente, nas ideias da pedagogia libertadora. Ademais, é imprescindível que o Terceiro Setor, aliado à mídia, desenvolva campanhas publicitárias- mediante depoimentos de cientistas sociais- que expliquem a importância de políticas públicas eficientes, com o intuito de efetivar as garantias constitucionais, no tocante ao dever do Estado. Dessa forma, resolver-se-ão os emblemas relacionados à cultura de cancelamento na sociedade contemporânea e, por fim, mitigar-se-á ações que mortificaram Giordano Bruno.