Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/09/2020

A partir da Revolução Tecnocientífica, que propiciou a difusão de recursos tecnológicos e comunicativos, como a internet, houve o surgimento da “cultura do cancelamento” que é definida pela depreciação de um indivíduo ou empresa por uma atitude antiética divulgada. Contudo, o caráter moralizador dessa prática gera problemáticas na sociedade hodierna, seja por casos de acusações infundadas, seja pelo efeito temporário dessa iniciativa.

Concernente à temática das informações inverídicas propagadas virtualmente, há um prejuízo à vitima ainda que haja a retificação da acusação. Essa premissa relaciona-se à disseminação de “fake news”, que promovem a deturpação de fatos, o que resulta em discursos de ódio e, no caso de empresas, o boicote à produtos. Tal cenário remete ao caso do americano Emmanuel Cafferty que, em 2020, perdeu o emprego por fazer um gesto com as mãos semelhante ao utilizado por supremacistas brancos, e mesmo com a comprovação do equívoco na informação, os efeitos danosos não foram sanados. Desse modo, o o meio digital torna-se um ambiente caótico.

Ademais, a conscientização que se almeja com o cancelamento na internet é transitória. Essa assertiva é validada pela quantidade demasiada de conteúdos onlines e televisivos que são expostos para a população, o que estimula uma interpretação superficial dos fatos. Assim, a justiça social atribuída ao ato de cancelar um usuário ou coorporativa é de caráter efêmero, visto que novos casos são apresentados ao público. Dessa maneira, a função dessa é limitada a manifestação do ódio.

Portanto, é imprescindível o combate aos malefícios da “cultura de cancelamento”. Para tanto, o meio midiático deve orientar a sociedade acerca de “fake news” e a comprovação dos fatos por pesquisas, mediante anúncios na internet e na televisão, com o intuito de conscientizar a população e assegurar um julgamento correto. Outrossim, a família possui um papel moral necessário para que o cidadão em face do exposto pela mídia não seja pasível, por meio de diálogos em casa, que objetivem garantir um efeito não transitório das noticías. Logo, a Revolução Tecnocíentifica será melhor vivenciada pela sociedade contemporanea.