Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/09/2020

A cultura do cancelamento tomou grande proporção, principalmente nas redes sociais, por ser uma onda que incentiva pessoas a não apoiar determinadas personalidades ou empresas, públicas ou privadas, do meio artístico ou não, por alguma atitude considerada errada pela sociedade.

Devido a sua grande repercussão, a “cultura do cancelamento” foi eleita o termo do ano de 2019. Sua origem é desconhecida, porém, se sabe que teve início a partir da mobilização de vítimas de assédio e abuso sexual, que ganhou maior alcance em 2017, após várias denúncias realizadas nos Estados Unidos.

Essa cultura vem seguindo um caminho diferente da conscientização e debate de assuntos relevantes no âmbito digital e real, como assédio, racismo, homofobia e tantas outras coisas ruins da nossa sociedade. Nos termos da definição da palavra “cancelar”, a ideia do movimento é, literalmente, “eliminar” o indivíduo, para que não continue afetando a ordem nas mídias sociais.

Ao contrário do Direito em que há um processo legal para justificar uma punição, o “tribunal da Internet” não proporciona uma explicação por parte do indivíduo. Na maioria das vezes, a cultura do cancelamento costuma ter efeitos imediatos, onde o boicote tem início logo que o erro tido como reprovável é notado e exposto. O imediatismo, porém, traz à tona certa intolerância e muita polarização, demonstrando assim que essa ação antecede a defesa.

Dessa forma, a cultura do cancelamento, nos moldes em que é praticada atualmente, afeta, ainda que de maneira indireta, os direitos da livre manifestação de pensamento e da liberdade de expressão, evitando o debate de questões que, de forma saudável, traria benefícios para a sociedade, promoveria o progresso intelectual e a evolução pessoal de cada um.