Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 17/09/2020
“Outono da Idade Média”, o livro de Johan Huizinga, descreve a cultura dos países baixos, durante o século XV. No livro, podemos entender que as fogueiras onde se queimavam os hereges, eram como se fossem um programa de final de semana, que os pais levavam os próprios filhos pra assistir, cuspir e xingar as pessoas sendo executadas. Mesmo depois de muitos séculos, a cultura do cancelamento continua presente em nossas vidas, hoje principalmente para julgar e criticar as pessoas por sua ações ou por algo que disseram, com a intenção de apagar os próprios erros.
As redes sociais, “terras de ninguém”, se tornaram um meio fácil e seguro de se fazer publicações de critica ou de denúncia. Porém, a maioria das criticas, são apenas a opinião das pessoas, que publicam com a intenção de prejudicar alguém famoso ou de grande influência. A cantora Anitta, por exemplo, já foi cancelada por inúmeras razões, especialmente de usar sua negritude quando lhe convém.
Segundo Luiz Felipe Pondé, a cultura do cancelamento já está enraizada na característica humana, “O ser humano gosta de jogar pedras nos outros, e gosta porque neste momento é como se ele se sentisse puro”. Ou seja, as pessoas julgam os outros para esquecer seus erros.
Assim, podemos concluir que a cultura do cancelamento, raramente possui boas intenções, como a de denunciar racismo, machismo ou maus tratos. Uma possível solução para este tipo de cancelamento, seria as pessoas começarem a publicar seus próprios erros, motivando outras pessoas a publicarem, e em consequência provar que não são apenas “eles” que erram, mas todos nós erramos.