Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/09/2020
Em busca de estruturar uma sociedade ideal, muitos internautas procuram se comportar como se promovessem uma espécie de justiça social, quando alguém se depara com um modo de agir ou pensar que avalia como incorreto, procura demonstrar isso de alguma forma: faz comentários negativos no perfil dessa pessoa, critica-a ou deixa de segui-la, ou seja, cancelar significa boicotar, posicionar-se contra a postura, os ideias de alguém. Nesse contexto, os efeitos da cultura do cancelamento são sentidos em vários aspectos, por exemplo, na vida de pessoas que perdem trabalhos, contratos, patrocínios e podem desenvolver problemas psicoemocionais. Dessa forma, em razão da falta de oportunidade do indivíduo cancelado debater e da má influência midiática, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.
Primordialmente, é importante salientar que a falta de debates é uma causa latente no problema. Segundo o escritor francês Joseph Joubert, “a meta de uma discussão ou debate não deveria ser a vitória, mas o progresso”, entretanto, não é isso que ocorre na sociedade contemporânea, visto que o ato de cancelar uma pessoa inibe a chance desse cidadão entender a razão dele estar errado e aprender algo novo. Desse modo, esse indivíduo não progride suas ideias, o que contribui para a falta de conhecimento desse grupo que é excluído e a chance de ser cancelado novamente aumenta.
Em segundo plano, outra causa para a configuração dessa adversidade é o mau uso das redes sociais. Conforme o filósofo Pierre Bourdieu “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”, com isso, observa-se que a falta de liberdade de expressão na internet reflete essa disfunção, haja vista que pontos de vista contrários aos da maioria são oprimidos pela mesma. Assim, as pessoas passam a ter medo de dizer o que pensam, tendo sua liberdade de expressão inibida para evitar o cancelamento.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Sendo assim, cabe a mídia, como meio de comunicação e elemento persuasivo, instruir a população acerca das consequências negativas que um indivíduo pode sofrer ao ser cancelado, por meio da criação de campanhas e propagandas que falem sobre esse assunto, influenciando as pessoas a debaterem e conversarem mais ao invés de rejeitarem opiniões contrarias às delas, de modo a evitar que os cidadãos propaguem a cultura do cancelamento, o que diminuirá o ódio disseminado na internet. Por fim, ressalta-se a relevância de resolver a problemática no momento atual, pois, como defendeu Martin Luther King, “toda hora é hora de fazer o que é certo”.