Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2020

Bolcheviques e mencheviques, monarquistas e republicanos, conservadores e progressistas. Ao longo da história, muitos são os exemplos dos grupos com ideais e ações políticas divergentes. Entretanto, na sociedade contemporânea, devido ao avanço da tecnologia e a expansão das redes sociais, a cultura do cancelamento do diferente alcançou proporção alarmante. Tal comportamento é nocivo visto que censura o debate e exacerba a alienação.

Mormente, vale ressaltar que a cultura da exclusão está diretamente relacionada com a incapacidade de discutir com aqueles que possuem ideais distintos. Segundo o filósofo Michel Foucault, o poder dos grupos sociais reside na capacidade dos indivíduos se manterem coesos com um determinado discurso. Todavia, hodiernamente, a rápida mobilização social, propiciada pela internet, por muitas vezes, torna-se instrumento de vigilância e punição de discursos não alinhados. Assim, a censura individual desestabiliza o discurso e a coesão do grupo e, por conseguinte, sua força de atuação social.

Ademais, associado ao caráter de censura e vigilância, a cultura do cancelamento exacerba a formação de “bolhas”. Consoante o filósofo Manuel Castells, na obra “Sociedade em Rede”, a sociedade contemporânea possui um elo inquebrável com o ambiente digital. Desse modo, uma vez que a exclusão do pensamento antagônico é facilitado pelas mídias sociais, a formação de “bolhas virtuais”, que reverberam ideais dominantes e excluem os dissidentes, é uma característica da contemporaneidade.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. O Ministério da Educação, por meio de parcerias com as mídias sociais, deve promover palestras e cursos sobre a diversidade de pensamento a fim de esclarecer e alertar a população sobre os riscos e consequências de ambientes monofônicos. Essas palestras, sempre que possível, devem utilizar situações concretas, como a perseguição e a censura promovida por regimes autoritários ao longo dos séculos, no intuito de ilustrar os perigos da cultura do cancelamento.