Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 23/09/2020

A cultura do cancelamento começou com o intuito de denunciar causas que de outro modo não seriam ouvidas, porem ela tomou uma proporção ainda maior atualmente. Inicialmente, a cultura do cancelamento nasceu com a #metoo, que denunciava assédios, e foi abrangendo atitudes racistas, homofóbicas e machistas. Mas no momento atual esse movimento tomou rédeas diferentes, cancelando qualquer pessoa por atos suspeitos, sem saber qual foi a real intenção do indivíduo ao fazer aquilo, e também cancelar alguém não vai trazer mudanças nas estruturas que geram esse tipo de comportamento.

De acordo com a feminista negra Loretta Ross, as exposições públicas deveriam servir para atingir aqueles que deliberadamente agridem um grupo minoritário e para pessoas públicas que não poderiam ser atingidas de outras maneira, mas que a maioria dos linchamentos acabam sendo “horizontais” e feitos por quem se acredita mais íntegro que o restante.              Diogo Soares, bacharel em ciências sociais pela USP, diz que é preciso também diferenciar sobre o que são lutas a favor de causas importantes, que valem a pena e fazem as pessoas mudarem seus comportamentos, do que é um abuso de censura e perseguição. Deste modo, filtrando o que realmente importa.

Algumas medidas devem ser tomadas para que esse tipo de acusação, muitas vezes sem fundamentos, seja nas pessoas certas, como ficar mais atento se aquela atitude foi realmente errada ou só apenas um mal intendido. O governo também deveria usar esses cancelamentos que foram de fato certos para impor mudanças na sociedade.