Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/09/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a cultura do cancelamento, que consiste em boicotar, posicionar-se contra a postura, opinião de alguém, apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da má influência midiática quando da falta de oportunidade de debate acerca do posicionamento da pessoa “cancelada”, situação que precisa ser revertida.

Primeiramente, é preciso salientar que a falta de debate é uma causa latente do problema. De acordo com o filósofo Aristóteles “a sabedoria começa na reflexão”, ou seja, é preciso debater sobre um assunto para entender mais sobre ele. Sob esse víeis, as pessoas que não concordam com o posicionamento de outras deveriam tentar conversar, debater acerca de suas opiniões, de modo a fazer o outro individuo entender o porquê dele estar errado, evitando assim o cancelamento. Entretanto, não é isso que ocorre, geralmente a pessoa é boicotada e criticada sem ter oportunidade de mudar seu pensamento ou decifrar o motivo de sua opinião ser errônea, não evoluindo suas ideias.

Em segundo plano, outra causa para a configuração dessa adversidade é a mau uso das ferramentas midiáticas. Conforme o filósofo Pierre Bourdieu “aquilo que foi criado para se tornar instrumento de democracia direta não deve ser convertida em mecanismo de opressão simbólica”. Nessa lógica, as redes sociais e a internet deveriam ser meios utilizados para expressar a liberdade, porém, no que diz respeito a  cultura de cancelamento na sociedade contemporânea essas tecnologias são usadas para  oprimir as opiniões divergentes,  dificultando a liberdade de expressão, que é um direito de todos os indivíduos segundo  a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Sendo assim, cabe à mídia, como meio de comunicação e elemento persuasivo, por meio de propagandas que contenham celebridades da atualidade, a fim de atrair o público das redes sociais, influenciar e incentivar mais o diálogo entre internautas através de conversas mais civilizadas nas redes, de modo que quem cometeu algum “erro” na internet possa ter a oportunidade de aprender, e como consequência mudar  sua opinião. Por fim, é importante que a população se encare como responsável do problema, pois, de acordo com o filósofo Platão, o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo.