Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 16/09/2020

A Constituição Federal garante aos brasileiros a inviolabilidade dos direitos individuais. Todavia, é evidente a ausência desse princípio quando se observa os impactos da cultura do cancelamento na sociedade brasileira. Nesse contexto, não há dúvidas de que esse mal é um desafio global, o qual ocorre não só devido à falta de empatia, mas também pela ascensão da tecnologia.

Vale destacar, de início, que uma das principais motivações para a cultura do cancelamento é a falta de empatia. Isso porque, segundo o psicólogo Carl Rogers, “ter empatia significa ter sensibilidade para perceber o sentimento que uma pessoa esteja experimentando naquele momento”. Sob tal óptica, percebe-se que a sociedade não atua de forma empática, já que muitos indivíduos são impedidos de exercerem seus direitos individuais, por causa de atitudes que cometeram no passado. Basta analisar a matéria do site G1, de 2020, a qual ressaltou que 77% das pessoas que sofrem por ação da cultura do cancelamento não gozam de oportunidades para corrigirem algum tipo de conduta irregular que tenham praticado, visto que são logo boicotadas e prejudicadas profissionalmente. Logo, é crucial que o Poder Público dissemine ações de empatia social, a fim de permitir que todos tenham chances de defesa.

Faz–se mister, ainda, salientar a ascensão da tecnologia como impulsionadora para os impactos nocivos a dignidade humana, uma vez que a coletividade nupérrima vive em meio a um “Estado de Anomia”, conceituado pelo sociólogo Émille Durkheim, como um espaço de profundo descontrole social, em virtude da incrementação das novas tecnologias da informação, as quais permitem que os cidadãos propaguem, com facilidade, correntes negativas como a cultura do cancelamento, cuja teoria predominante é criticar e sujar a imagem de alguém. Em consequência disso, certos indivíduos efetuam ameaças contra diversas pessoas, bem como atitudes precipitadas, as quais não oferecem o direito de defesa aos cidadãos que estão sendo atacados. Dessa maneira, é inaceitável que práticas ofensivas ou que prejudiquem a vida de alguém venham a fazer parte da sociedade contemporânea.

Portanto, com o intuito de mitigar a cancelamento, o Ministério da Cidadania, por meio de verbas advindas do Produto Interno Bruto (PIB), deve promover palestras para todas as regiões do Brasil, com o objetivo de propagar empatia entre as pessoas, tal como diminuir o número de comentários que ataquem os cidadãos. Nessa perspectiva, com a finalidade de melhorar as relações sociais, tais palestras devem ser apresentadas nas mídias sociais, nos centros de eventos e nas escolas de cada município, tanto quanto desenvolver com os participantes dinâmicas que mostrem aos indivíduos as consequências de ser cancelado na contemporaneidade, assim, proporcionar-se-á sumo bem-estar geral. Destarte, a nação desfrutará da igualdade de direitos garantidos pela Carta Magna.