Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/09/2020

De acordo com Clovis de Barros, professor da Universidade de São Paulo, “as pessoas tendem ao silêncio”. Visto que, há uma convergência de opiniões, que podem ir a favor ou contra um posicionamento dominante. Em paralelo com esse pensamento, a cultura do cancelamento dificulta o processo de posicionamento pessoal e aniquila as chances do debate público.

Deve-se destacar, primeiramente, que o direito de se posicionar é um bem individual, o qual é responsável por ampliar as chances de escolha do indivíduo. Em contraste, se vetado, retira-se a chance de defesa do cidadão em questão. Como o caso da cantora Anitta, cancelada após expor sua opinião política no Instagram. Nesse sentido, observa-se que todo ato que impede o direito livre do pensamento individual, infringe o art.5° da Constituição brasileira de 1988.

Ademais, é pertinente ressaltar que a opressão de um viés ideológico, faz com que outro ponto de vista mais aceito socialmente se sobressaia, transformando-se dessa maneira, em um discurso único. Nessa perspectiva, a Internet proporciona um debate raso e alienado, ocasionando, segundo Umberto Eco, em uma “legião de imbecis”. Seguindo essa linha de pensamento, urge que o usuário, antes de cancelar alguém, reflita e converse com usufrutuários dissemelhantes da sua opinião.

Portanto, conclui-se que o debate sobre a cultura do cancelamento está intrinsecamente ligado ao confronto de ideias. Deste modo, cabe ao Ministério da Cidadania, financiar campanhas publicitárias e discussões com participação popular, com a finalidade de conscientizar a todos sobre a importância do debate e da livre manifestação individual. Com isso, os brasileiros conseguirão construir uma sociedade mais tolerante e diversificada.