Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/09/2020

O avanço da tecnologia possibilitou a criação de diversas vias de comunicação como o rádio, a televisão, e recentemente a internet, nesse sentido, a cada dia que passa o planeta fica mais globalizado e as informações são transmitidas com mais rapidez. Nesse viés, com as redes sociais, é possível que as pessoas interajam com grandes distâncias e até com desconhecidos, no entanto, isso se torna um problema quando indivíduos utilizam essa ferramenta para fins negativos como julgar o próximo sem nem conhecê-lo e achar que pode cancelar os outros por defeitos e erros inconscientes cometidos por eles.

Em primeira instância, é notório que a cultura do cancelamento é algo comum nas redes sociais atualmente, muitas pessoas se acham no direito de eliminar as opiniões dos outros por apenas não concordar com elas, entretanto, é necessário entender que a princípio esse termo foi criado para defender as minorias que sofriam preconceito como racismo, machismo e homofobia, além de servir para dar voz a elas e “cancelar” os intolerantes. Hodiernamente, muitos usuários da internet não agem dessa maneira e utilizam esse vocábulo para defender os próprios interesses e vontades, e também serem intolerantes e preconceituosos com o próximo.

Além disso, grande parte da sociedade acha que todos os seres humanos devem ser perfeitos e que ninguém pode erram ou ter defeitos, sendo que não existe ninguém assim. Dessa forma, quando uma pessoa tem uma fala que não condiz com a vontade da maioria ou que foge do politicamente correto, ela é julgada e xingada pelos “juízes da internet”, podendo até desenvolver problemas psicológicos. Existem casos também de indivíduos que por falta de conhecimento e instrução falam frases preconceituosas ou tem ações inadequadas, e ao invés dos usuários que possuem sabedoria ajudarem e ensinares, eles preferem julgar e cancelar.

Urge, portanto, que instituições públicas e os usuários das mídias cooperem para mitigar essa problemática. Cabe ao Ministério dos Direitos Humanos e o Ministério da Ciência e Tecnologia cooperar para atenuar os preconceitos, ofensas e xingamentos cometidos nas redes sociais, por meio de punições mais rígidas para quem cometer crimes contra a honra, a fim de que o direito a liberdade de expressão seja garantido. Ademais, cabe aos usuários das mídias sociais que se unam por meio de perfis de grupos e comunidades, a fim de ajudar e ensinar os cidadãos que não possuem conhecimento sobre falas e ações preconceituosas, além de denunciar quem ofender e violentar verbalmente as minorias, a fim de que as redes sociais se tornem um ambiente mais igualitário.