Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/09/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebe-se aspectos semelhantes no que tange à questão do cancelamento social. Dessa forma, observa-se que essa problemática reflete um cenário desafiador, não pelo desrespeito à liberdade de expressão, como também por acarretar atitudes de exclusão.
Deve-se destacar, de início, que a cultura do cancelamento viola as ações viabilizadas pelo Congresso Constituinte. Nesse sentido, de acordo com a Constituição de 1988, é direito do cidadão brasileiro expressar opiniões e ideias, sem que seja censurado ou submetido a um controle. Sob essa ótica, nota-se que as atitudes dos indivíduos na sociedade, principalmente nas redes sociais, vão ao desencontro dessa lei, visto que o ato de cancelar está cada vez mais comum, o que leva o cancelado a uma exclusão social.
Por conseguinte, vale ressaltar que o ódio nas redes comunicativas causa uma má convivência na sociedade, especialmente nas relações afetivas, o qual gera um distanciamento das pessoas. Nessa perspectiva, a série televisiva Black Mirror retratou em um dos seus episódios o cancelamento social, em que o nível de aceitação dos indivíduos se dava por meio de notas nos aplicativos midiáticos. No entanto, sabe-se que isso é bastante evidenciado no Brasil, já que as pessoas têm que manter uma boa imagem para seus seguidores, posto que a realidade é tida como entediante para a população do século XXI. Dessa forma, contribui-se para a perpetuação desse tipo de ação negativa, logo, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada.
Portanto, para que haja uma melhoria nesse cenário de cancelamento social, é imprescindível esforço coletivo entre o Estado e as comunidades. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições midiáticas, desenvolver palestras nas redes sociais, por intermédio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto, a fim de conscientizar a população. Ademais, o Ministério da Educação deve propor uma reeducação sociocultural, mediante a circulação de campanhas educacionais, em jornais, livros e revistas, com o intuito de trazer mais lucidez sobre a cultura do cancelamento e atingir um público maior. Por fim, será possível consolidar uma sociedade mais empática.