Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/09/2020

Thomas More, no seu livro “Utopia”, retrata uma ilha imaginária formada por uma sociedade perfeita em todos os aspectos. Fora da ficção, tendo em vista a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, essa conjuntura executada pelo autor está longe da realidade hodierna. Diante desse contexto, é lícito afirmar a necessidade de solucionar essa problemática, que é causada pela má formação socioeducacional e pela influência negativa da mídia.

A princípio, é preciso atentar para a educação deficitária, que é um fator determinante na persistência do problema. Nesse sentido, conforme Paulo Freire, filósofo brasileiro, a educação no Brasil é “bancária”, isto é, não estimula o senso crítico e a autonomia do indivíduo. Desse modo, constata-se que o sistema de ensino brasileiro não leva à pauta a cultura do cancelamento, apenas traz conteúdos que não estimulam o senso crítico do estudante, com uma precária formação intelectual. Logo, indubitavelmente, esse cenário prejudica a resolução do problema, já que forma cidadãos despreparados para entender e lidar com esse impasse, por isso, como defendeu Sêneca, filósofo espanhol, “A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”.

Somado a isso, convém ressaltar que a falta de debate é um forte empecilho para consolidação de uma solução. Nessa perspectiva, de acordo com Michel Foucault, filósofo francês, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Dessa maneira, verifica-se que os grandes veículos de comunicação precisam informar à população sobre a cultura do cancelamento, mas isso não tem ocorrido na prática, tendo em vista a insuficiente exposição do problema e a ausência de debates sobre intervenções para resolvê-lo. Assim, infelizmente, com a escassa abordagem, a falta de conhecimento da população sobre a questão continua, igualmente como o impasse, por essa razão, como expressou Rupi Kaur, poeta alemã, “A representatividade é vital”.

Portanto, medidas capazes de mitigar essa problemática devem ser tomadas. Posto isso, as escolas devem, em parceria com empresas midiáticas, por meio de amplo debate com alunos e professores, promover rodas de conversa e discussões sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse e serem abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas ao problema e se tornem cidadãos mais atuantes em busca de resoluções. Espera-se, com essa medida, que a sociedade seja cada vez mais parecida com “Utopia”.