Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 15/09/2020
A série Black Mirror em seu episódio ‘‘Odiados pela Nação’’, retrata uma ditadura em que pessoas com condutas consideradas erradas pela sociedade são julgadas por meio das redes sociais e são exterminadas. Fora da ficção, também ocorre um julgamento no ambiente virtual que é denominado “cancelamento”, em que as pessoas que o sofrem recebem mensagens de ódio. Nesse contexto, esse movimento promove uma ditadura velada, com a exclusão de pessoas que têm as suas ações anuladas e um crescente medo de publicar a sua opinião na rede.
Em princípio, vale ressaltar, o caso que aconteceu em 2019, do americano Andrew John que após uma brincadeira passou a ser patrocinado e receber dinheiro de pessoas de todo o mundo para realizar doações à instituições. Porém, todas as boas ações feitas por Andrew foram anuladas após encontrarem suas mensagens antigas consideradas ofensivas nas mídias sociais, tendo como consequência a sua perda de patrocínio e doações e também uma massiva mensagens de ódio.
Ademais, de acordo com o pensamento do filósofo iluminista Voltaire, toda pessoa tem o direito de expressar publicamente a sua opinião. Mas, o cenário atual diverge do que dizia o pensador, pois os intolerantes usam da vantagem de estarem atrás de uma tela para atacar com mensagens agressivas quem possui opiniões diferentes das suas. Tal conjuntura, acarreta no medo dos usuários das redes sociais de serem expostos ao expressarem o que pensam e, podendo assim ter a sua imagem comprometida, esse problema traz a tona uma espécie de ditadura velada.
Em suma, são necessárias medidas atenuantes ao entrave abordado. Assim, cabe ao Ministério das Comunicações em parceria com as mídias sociais, a realização de campanhas que mostrem os efeitos devastadores tanto psicológicos como socialmente na vida de quem sofre um cancelamento. Dessa forma, a fenda de ditadura invisível que se instaurou no mundo virtual pode ser ultrapassada, aumentando o número de debates, tornando possível a prática da liberdade de expressão.