Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 14/09/2020

Indubitavelmente, a sociedade contemporânea possui a internet como ferramenta primordial que, através das mídias sociais, permeiam todo o complexo organismo social e todo indivíduo que a compõe. Nesse contexto, a fim de denunciar e aplicar consequências em circunstâncias não aceitas socialmente e que não é dada a devida importância, usuários dessa tecnologia adotaram práticas análogas às de um tribunal que por sua vez veio atingindo patamares elevados de hábitos os quais ficaram conhecidos como cultura do cancelamento. Infelizmente, hodiernamente, tais ações, hoje,  rotineiras tomaram proporções questionáveis perante aos meios utilizados e consequências deixadas por esse costume. Logo, necessariamente deve haver um debate para que não urja problemas irreversíveis.

Primeiramente, vale ressaltar a máxima: “os fins justificam os meios”, atribuída ao filósofo Nicolau Maquiavel. Paralelamente, adeptos ao cancelamento tomados por um senso de justiça com as próprias mãos, sobem em um pedestal se colocando como não errantes e adotam uma metodologia que geralmente é ineficaz. Nesse sentido, a ineficiência do método propicia a intensificação de meios irascíveis como a inibição do diálogo, tendo como pretexto a finalidade. A partir disso, intensificada pelo efeito manada e a prevalência de um pensamento hegemônico, instaura-se uma perseguição inquisitorial. Contextualmente, percebe-se que os meios que determinarão os fins e a máxima do filósofo renascentista não é aplicável nos dias hodiernos, pois não está servindo a um fim justo e bom para todos, uma vez que provocam linchamentos e retroalimentam a violência e ódio nas redes.

Em segundo lugar, é importante salientar sobre as consequências de tal cultura para a contemporânea conjuntura social. O uso cada vez mais arbitrário do cancelamento provoca a espetacularização da intolerância das visões opostas, apelo à vergonha pública e ao ostracismo. Outrossim, a cultura do cancelamento demonstra para a crescente parcela de jovens na internet que a mudança de concepções, pensamentos e atitudes não ocorre e não é bem vista. Assim, indo contra à ideia do filósofo pré-socrático Heráclito de que nada persiste e nem permanece o mesmo.

Em suma, cabe às instituições midiáticas colocarem em pauta as consequências promovidas pela utilização errônea do cancelamento, por meio de publicações nas mídias sociais evidenciando quais os procedimentos adequados e cabíveis aos usuários em ambos os lados do contexto. Assim, segundo o filósofo Friedrich Nietzsche, acautelando-se para não tornar-se um monstro, pois aqueles que lutam com monstros devem acautelar-se para não tornar-se também um monstro.