Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/09/2020

Theodor Adorno, em sua “Dialética do Esclarecimento”, defende um projeto de libertação do homem da opressão e da massificação por meio de uma ampla formação humanística. Para o filósofo alemão, o indivíduo deve caminhar na direção de uma consciência crítica baseada na dignidade e no respeito às diferenças. Considerando essa perspectiva na análise da conjuntura atual, tem-se a questão do debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea, o que revela como a sociedade hodierna ainda tem uma longa trajetória para se atingir um mundo social mais equilibrado.                         Em primeiro plano, a cultura de cancelamento vem sendo usada por internautas como uma maneira de ampliar a voz de classes oprimidas socialmente, como negros e mulheres. Sendo assim, usuários da internet utilizam-se de imagens e vídeos de indivíduos que ferem a liberdade do outro repostando o conteúdo até que se atinja um nível em que há o prejudicamento do mesmo ou até mesmo de uma empresa. Desse modo,  segundo o site de notícias “BBC”, famosos como a blogueira fitness Gabriela Pugliese sofreu com a cultura do cancelamento, ao publicar vídeo de festa em meio ao cenário da atual de pandemia e dessa forma foi afetada com a perda de vários contratos.

Nessa circunstância, infere-se consequência negativa da cultura do cancelamento como a visão pejorativa do “cancelado” que pode permanecer por um longo tempo afetando a qualidade da vida do mesmo, desta maneira acarretando em problemas psicológicos futuros como depressão. O indivíduo que sofreu com o processo acima pode vir a afligir-se com a imensa desproporcionalidade em que se atinge o conteúdo, por uma cultura de dissipação do ódio segundo o site de informações “Nexo Jornal”. Desse modo, há o ferimento do artigo 5º da Constituição Federal brasileira que diz respeito a inviolabilidade do direito à liberdade e à vida, entre outros.

Feito essa análise fica evidente a necessidade de ações promotoras de transformações coletivas. Dessa maneira, a Educação, como instrumento de metamorfose social, deve promover palestras, por meio de associações de bairro, afim de alertar dos riscos acerca do “cancelamento”. Ademais é necessário que o Estado, como gestor administrativo, atue conjuntamente com setores responsáveis pela detecção do cyberbullying, afim de uma maior fiscalização da problemática analisada. Somente assim, a proposta Adorniana poderá guiar os passos humanos na direção de um mundo mais justo, ético e seguro, com o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.