Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/09/2020

Além dos seus usos tradicionais, como desmarcar compromissos agendados ou deixar de assinar um serviço, o verbo “cancelar " tem sido empregado, com frequência, para pessoas, as quais tenham feito ou dito algo condenável moralmente, ofensivo ou preconceituoso. Nesse contexto, com o aumento dos movimentos sociais na internet e a necessidade de aprovação social, a cultura do cancelamento ganha espaço e provoca consequências diversas, fazendo-se impressindível discutí-las.               A priori, o artigo “O eu na internet “, de Jia Tolentino, afirma a existência de uma substituição da aprovação na vida real por mecanismos de recompensa online. Nesse contexto, observa-se o aumento exponencial da necessidade de ser visto como boa pessoa nas diversas mídias. Tal fato, somado ao fortalecimento das pautas sociais - por meio de movimentos negros , lgbt+ e feministas - corroboram a cultura do cancelamento, visto que qualquer atitude julgada preconceituosa ou moralmente errônea, dentro ou fora do mundo virtual , é atacada.

A posteriori, esse linxamento virtual, não raro, provoca a saída do " cancelado " das redes onlines e um exílio social, de modo semelhante à política do Ostracismo, da Grécia antiga. Essa situação é criticada por Osita NWanwvu, autor de artigos sobre a cultura do cancelamento, devido à falta de diálogos sobre o tema gerador das críticas com o acusado, dificultando a modificação das suas atitudes. Além disso, tal movimento provoca danos psicológicos, como ansiedade, depressão e falhas na interação desses indivíduos, segundo pesquisas da Oxford. Isso demonstra a necessidade de reflexão sobre as consequências do cancelamento e sua abrangência, a qual perpassa o meio virtual e pode gerar os problemas citados.

Entende-se , portanto, que a cultura do cancelamento não é benéfica, sendo preciso modificar esse quadro. Para tal fim, é importante que o Ministério da Comunicação, junto às mídias sociais, divulgue a importância de conversas saudáveis entre os internaltas, por meio de propagandas e cartazes públicos, visando conscientizá-los dos males  do ‘‘cancelamento’’. Ademais, é imprescindível a criação de regras, por meio de políticas de uso, que proíbam atitudes danosas moralmente e possam causar prejuízos à integridade mental e física do indivíduo, com o banimento indeterminado de quem negligenciar essa determinação. Com isso, o meio virtual pode se tornar um local de aprendizagem e evolução pessoal, trazendo benefícios a todos.