Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 14/09/2020
Em seu livro “Modernidade Líquida”, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman traça um paralelo entre a modernidade líquida e a modernindade sólida. A realidade atual, caracterizada como líquida, tem como consequências a fragilidade e agilidade das relações sociais, com acordos temporários e passageiros, os quais são potencializados pela internet.
Diante disso, a cultura do cancelamento é um grande exemplo de fluidez da modernidade. A dificuldade das relações entre as novas gerações em decorrência ao julgamento instantâneo no espaço cibernético faz com que a dificuldade da promoção da resiliência seja ainda maior. Ademais, por ser um fenômeno reativo, as reações automáticas e impacientes evidenciam a impulsividade e intolerância da grande maioria dos internautas.
Entretanto, como ponto positivo: o cancelamento surgiu como uma forma de romper uma estrutura rígida de poder, essa cultura desencadeou o fortalecimento de novas pautas nas mídias digitais. Movimentos negros, feministas, LGBTQI+ passaram a receber maior visibilidade em suas denúncias.
Dessa forma, com propósito de proporcionar uma atmosfera virtual favorável aos cancelamentos, cabe ao Ministério da Educação criar uma nova disciplina obrigatória focada nas mídias sociais. Conscientizando os adolescentes com a presença de psicólogos, trabalhando na promoção da resiliência e ajudando os jovens de como reagir à problemas no espaço cibernético, além de promover dinâmicas para melhorar as relações sociais virtuais.