Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 11/09/2020

Eleita a expressão do ano pelo dicionário Macquarine,  a “cultura do cancelamento” é comum nas redes sociais para denunciar atos, preconceitos e discursos considerados impróprios. Contudo, com o número de republicações e má interpretação, pessoas são julgadas incorretamente. Além do mais, o tal “cancelamento” acaba perdendo seu sentido original de denúncia e a humilhação pública ganha espaço. Dessa forma, com o risco de ser cancelado por milhares de pessoas nas redes sociais, os atos incorretos e preconceitos são  apenas escondidos por medo e não por  autorreflexão. Assim, é necessário analisar a atual conjuntura e buscar uma forma de amenizar tal impasse.

Nessa perspectiva, a cantora Anitta foi cancelada nas redes sociais por ser acusada de apropriação cultural ao utilizar tranças, elemento oriundo da cultura africana. Pouco tempo após a publicação da foto com o penteado, milhares de publicações no Twitter e Facebook já denunciavam a cantora. Dessarte, com muitas pessoas falando do mesmo assunto simultaneamente, outros atos da cantora, como frases e publicações antigas foram recompartilhados. À vista disso, a denúncia original perdeu seu foco e fez com que muitas pessoas replicassem ataques de forma irracional, típico do chamado “Efeito Manada”.

Isso posto, tal efeito explica a forma inconsciente com que as massas agem: ao ver um mesmo ato sendo repetido inúmeras vezes, é esperado que o indivíduo aja da mesma forma para ser incluído no grupo. Portanto, ao ler diversas republicações nas redes sociais sobre um mesmo assunto, é normal que acredite ser essa a atitude correta e a repita. Dessa forma, além de o sentido original ser deturpado, há a repetição do mesmo ato. Ademais,  segundo o filósofo Foucault, o ato de exercer  controle está no discurso dos grupos e não nos indivíduos. Assim, as denúncias nas redes sociais não geram uma mudança no pensamento dos indivíduos, mas moldam a forma como vão agir com medo se serem vítimas do cancelamento.

Conquanto, tendo em vista que o cancelamento não é uma forma correta de se denúncia, mas que está em constante crescimento nas redes sociais, faz-se imperiosa a atuação do Estado. É, portanto, dever do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, publicar nas redes sociais, como Twitter, Facebook e Instagam, por meio de propagandas, a conscientização sobre o cancelamento nas redes. Dessa maneira, assim como as denúncias são recompartilhadas, as propagandas também serão e, por conseguinte, a mensagem será difundida, contribuindo para o aperfeiçoamento do senso crítico dos indivíduos. Somente dessa forma as denúncias terão efeito positivo pois, conforme Gabriel o Pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro”.