Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 11/09/2020

Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizavam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da cultura do cancelamento nas mídias. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a carência de debate e a falta de empatia.

Primeiramente, a falta de discussão mostra-se como um dos desafios para resolução do imbróglio. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição revelante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que as dificuldades acerca da prática do cancelamento de pessoas sejam resolvidas, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada. Assim, trazer à pauta esse tema e debater amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Ademais, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de empatia. De acordo com o filósofo Zigmunt Baumman, a sociedade contemporânea vive tempos líquidos, nada é para durar. Nessa perspectiva, nota-se que as relações entre os indivíduos têm sido menos duradoura, e o exercício do cancelamento se mostra como um grande exemplo no que diz respeito ao pensamento individualista presente.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversas no ambiente escolar para debater sobre os problemas que cercam a prática do cancelamento, por meio de campanhas e palestras acerca do assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que as pessoas possam se tornar cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.