Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/09/2020
“Paranoia ou Mistificação?” foi um artigo publicado por Monteiro Lobato visando criticar o ideário de arte buscado pela Anita Malfatti, essa ação culminou em intensas críticas direcionadas à pintora. Paralelo à isso, a sociedade atual determina atitudes semelhantes como “cultura do cancelamento”, visto que o comportamento de Lobato de incitar sua própria ideologia e ocasionar atitudes negativas direcionados a outrem é comumente encontrada nas redes sociais. De fato, “cancelar” significa, apenas, limitar diferentes opiniões e favorecer a justiça com as próprias.
Nessa perspectiva, emerge a deficiência do indivíduo em reconhecer concepções distintas. A esse respeito, o filósofo Friedrich Nietzsche apregoa sobre “Moral de rebanho”, no qual os indivíduos não possuem e não buscam pensamentos críticos, mas apenas seguem o comportamento de alguém. É evidente que essas atitudes direcionam para manifestações de pensamentos que englobam uma única vertente, sem espaço para um debate ou até mesmo uma defesa. Dessa forma, ocorre uma manipulação ideológica, que restringe e desacelera o processo de criação de novas concepções, oriundo da incapacidade dos indivíduos em se tornar imparcial e distinguir opiniões.
Outrossim, a impunidade dos discursos de ódio agrava a conduta social. Nesse viés, o cancelamento busca transformar e educar pessoas que apresentam certos comportamentos que ofendem grupos sociais. Todavia, muitos são expostos nas redes sociais sem ao menos conhecer a origem e causa da perseguição. Tal atitude demonstra que o responsável pela exposição não se interessa pela reeducação e compreensão das causas, mas apenas pelo deleite de demonstrar sua superioridade em reconhecer no outro o erro, o que acarreta em intolerância injustificada. Assim, os indivíduos passam a distorcer o significado de liberdade de expressão determinado pelo artigo 5 da Carta Magna.
Impende, pois, que a cultura do cancelamento vem impedindo a livre circulação de ideias. Em razão disso, o Ministério da Educação deve elaborar campanhas, por intermédio da utilização dos meios midiáticos, para despertar nos indivíduos a curiosidade, como a leitura e a pesquisa sobre causas sociais, com o intuito de torná-los capazes de desenvolver senso crítico. Ademais, o Sistema Jurídico, como disciplinador da convivência social, deve fiscalizar as redes sociais, através da cooperação com o meio empresarial, para punir os infratores que propagam os discursos de ódio e incitam a justiça com as próprias mãos. Logo, casos de opressão como o ocorrido com Anita Malfatti não serão recorrentes.