Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 10/09/2020

Desde o “Século das Luzes”, comumente conhecido como Iluminismo, ocorrido no século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o intuito de solucionar conflitos do corpo social. Não obstante, verifica-se, na contemporaneidade, que a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea vai de encontro aos ideais iluministas, uma vez que estes presam pela evolução intelectual por meio dos debates democráticos e tolerantes. Dessarte, é categórico que planos sejam aplicados para alterar esse nocivo cenário que possui como causas: a falta de consciência social e a negligência do Governo.

Mormente, é imperativo pontuar que a problemática deve-se muito a falta de consciência social em relação ao imbróglio. Nesse contexto, o sociólogo Karl Marx teceu diversas críticas, em suas obras, acerca da atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Tratando-se da cultura do cancelamento, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, permitindo, assim, que tal prática ganhe cada vez mais notoriedade no corpo social, causando grandes impactos ao bem-estar e no avanço intelectual da sociedade.

Outrossim, é fulcral destacar que o óbice em questão deve-se muito à baixa atuação do Governo no que se concerne à elaboração de políticas públicas que promovam, de maneira efetiva, a ruptura do sentimento antidemocrático, uma vez que o “cancelador”, assim como um ditador, reprime a opinião divergente e a ação de uma outra pessoa em função de seus pensamentos acerca de temas sensíveis da contemporaneidade . Consoante a isso, o filósofo francês Jean-Paul Sartre defende que cabe ao ser humano definir seu modo de agir e de expor um pensamento, pois somos todos livres e responsáveis por nossos atos, apenas a constituição poderá nos punir. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura do Governo de maneira urgente, haja vista que a ineficácia estatal corrobora com a cultura do cancelamento, alimentando a tese de que o Estado “fecha os olhos” para o bem-estar social.

Portanto, o Governo federal, como instância máxima da administração executiva, aliado ao Ministério da Cidadania, por meio de verbas governamentais, deve levar palestras por todo o Brasil, alertando a população acerca dos malefícios resultantes da cultura do cancelamento, de modo que ocorra a massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em níveis mundiais, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, os cursos deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados.