Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 12/09/2020

De acordo com o sociólogo Manuel Castells, atualmente presenciamos um novo modelo social, a “sociedade em rede”, caracterizada pela circulação dinâmica das informações pelos meios de comunicação. Mas, ainda que essa nova maneira de interação social apresente aspectos positivos, ela também vem acarretando cenários problemáticos, como a “cultura do cancelamento” nas redes sociais. Nesse contexto, indivíduos são por vezes injustiçados numa busca desordenada por justiça. Sendo assim, é primordial que as novas plataformas sociais sejam um espaço para contemplar vozes diversas, mas devem conduzidas buscando o posicionamento crítico e respeitando diretrizes pré-estabelecidas.

Em primeira análise, é evidente que, hodiernamente, os meios de comunicação digitais constituem não apenas formas de interação entre indivíduos situados em pontos distintos do globo, como também permitem a articulação e o posicionamento de grupos minoritários até então excluídos dos debates centrais sobre a vida social. Essa característica apresenta um caráter positivo, uma vez que, como apontado pelo sociólogo brasileiro Sergio Buarque de Hollanda, é “preciso fazer falar aqueles que foram silenciados pela historia, isto é, cidadãos à margem da vida em sociedade por características como suas raízes étnicas, praticas religiosas ou orientação sexual. Deste modo, ao serem apontadas atitudes preconceituosas nas redes, por exemplo, busca-se que empresas ou pessoas influentes adotem comportamentos mais responsáveis e sofram retaliações por seus atos intolerantes.

Entretanto, além de seu viés benéfico, o uso das redes sociais pode ter desdobramentos adversos, como é evidenciado pelo fenômeno conhecido como “cancelamento”. Tal comportamento costuma ser conduzido por um indivíduo ou um grupo que evidenciam ações, por parte de empresas ou pessoas influentes, consideradas inaceitáveis pelo público. Contudo, por vezes essas ações são tiradas de contextos ou até mesmo manipuladas nos meios digitais, resultando na difamação dos supostos pre-cursores de tal atitudes de forma errônea. Logo, é primordial que a busca por justiça seja conduzida de maneira formal e mediada por profissionais imparciais do âmbito público.

Diante dos fatos destacados, verifica-se necessidade de intervenção do estado para resolver o impasse. Portanto, o Ministério da Justiça e Segurança Pública deve fiscalizar a ação dos usuários on-line buscando evitar e, caso necessário, intervir em alegações caluniosas, mas antes analisando sua veracidade e conduzindo inquéritos. Além disso, as instituições de ensino devem conduzir palestras educativas para as crianças e jovens sobre o uso responsável das plataformas sociais, de modo que elas sejam, desde cedo, instruídas sobre como fazê-lo. A partir dessas medidas, os cidadãos que compõe a “sociedade em rede” pode ter sua segurança preservada e a busca por justiça alcançada.