Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
A última versão do famoso reality show “Big Brother Brasil” tem gerado uma onda de comentários nas principais redes sociais. Entre elas, o fenômeno da “abolição da cultura” ocupa o principal espaço nas condutas de julgamento coletivo dentro do país. A maioria dos participantes considera suas ações e discursos alvos de linchamento nas redes sociais. Este esquema de cancelamento é apenas mais um exemplo dos inúmeros comentários online diários que surgiram da campanha “#MeToo”, o principal protesto contra o abuso sexual, mas às vezes desviada de seu objetivo principal.
Na verdade, a cultura do cancelamento reflete a falta de simpatia e o falso moralismo social, que se intensifica com o surgimento das redes sociais. Julgamentos e discursos considerados errados não buscarão o diálogo, ou seja, não levarão à mudança, apenas inspirarão certo grau de controle disciplinar. Para tanto, é preciso desmontar as relações de poder estabelecidas no meio social e confirmar críticas abertas ao debate e ao diálogo ativo.
Como resultado, a cultura do cancelamento torna o diálogo difícil e não pode mudar pontos de vista e atitudes.O problema não é a crítica, mas que nega o assunto, o que a pessoa deve dizer e o que faz.Nessa lógica, a cultura do cancelamento certamente não abre espaço para a troca de opiniões, pois, ao julgar o comportamento dos outros, não se leva em conta a sua defesa, e apenas a busca ilimitada de “fazer justiça”, o que levará a indivíduos intolerantes, incapazes de diálogo.
Por isso, cabe à mídia e a seus potenciais influenciadores iniciar uma campanha para enfrentar as consequências da abolição da cultura.O objetivo da sociedade é que os jovens, principais usuários das redes sociais, possam respeitar mais as diferenças de opinião e saber apontar erros para conseguir uma mudança positiva. Por meio dessas medidas, a sociedade será gradativamente capaz de desfazer-se da cultura do cancelamento.