Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
Segundo Habermas, o ato de discutir um assunto e a tentativa de chegar a um consenso são mais importantes que o convencimento de uma das partes. Nesse sentido, o que tem acontecido, atualmente, é um retrocesso do Agir Comunicativo por meio da negação do debate e da cultura da retaliação imediata. Assim, as reações citadas puderam ser sentidas pelo advento da internet que possibilitou uma maior exposição a erros concomitantemente à maior probabilidade de respostas.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que há anos, quando os principais veículos comunicadores eram os jornais e a televisão, as pessoas que possuíam voz eram, no geral, uma minoria detentora de poder político e aquisitivo. Nesse contexto, em 2007, a renomada jornalista Bárbara Gancia publicou um artigo em que criticava duramente a cultura “hip-hop”, típica da periferia, e não obteve resposta à altura de sua crítica, já que não haviam jovens negros com tamanha visibilidade. Portanto, hoje, a jornalista seria vista e respondida por milhares de pessoas.
Ademais, dado o exemplo de Bárbara Gancia, é notável que a internet possibilitou uma forma de resposta à repressão vivida por vários grupos minoritários ao longo do tempo. Desse modo, apesar de ser extremamente desconfortável para a população historicamente detentora de poder, essa é mais uma forma necessária de resistência. Contudo, em concordância com Habermas, vê-se que não há eficácia em uma reação exagerada e desorganizada que não possibilite debates afim de aprendizado.
Sintetiza-se, pois, que o chamado “cancelamento” é a forma atual de reação ao que já não agrada à sociedade. Então, é necessário que haja uma revisão sobre a forma mais eficaz de evoluir em debates reais, sem apontamentos rasos. Para isso, é importante que as escolas fomentem, desde a infância, discussões sobre temas atuais a partir de rodas de conversas e palestras sob diversos pontos de vista. Espera-se que, assim, as próximas gerações continuem socialmente ativas, mas com habilidades para conversas e ensinamentos.