Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
O movimento hoje conhecido como “cultura do cancelamento” começou,há alguns anos,como uma forma de chamar a atenção para causas como justiça social e preservação ambiental.Seria uma maneira de amplificar a voz de grupos oprimidos e forçar ações políticas de marcas ou figuras públicas.
Funciona assim: um usuário de mídias sociais,como Twitter e Facebook,presencia um ato que considera errado,registra em vídeo ou foto e posta em sua conta, com o cuidado de marcar a empresa empregadora do denunciado e autoridades públicas ou outros influenciadores digitais que possam amplificar o alcance da mensagem.É comum que, em questão de horas, o post tenha sido replicado milhares de vezes.A cascata de menções a uma empresa costuma precipitar atitudes sumárias para estancar o desgaste de imagem, sem que a pessoa sob ataque possa necessariamente se defender amplamente.
O fenômeno acontece também no Brasil,mas frequentemente tem como alvo famosos.Um exemplo recente de cancelamento foi o da blogueira Gabriela Pugliesi.Depois de postar imagens de uma festa que deu em sua casa, em abril,em meio a uma quarentena por conta da epidemia de coronavírus,uma multidão online passou a cobrar as marcas que a patrocinavam para que rescindissem os contratos de publicidade com ela.Pugliesi perdeu pelo menos cinco contratos e seu prejuízo teria superado os R$ 2 milhões.
Muitos daqueles que foram alvo de cancelamentos,ou que se solidarizam com pessoas que tenham sido criticadas dessa forma,se queixam de uma perseguição inquisitorial que cercearia o discurso e as ações de comediantes,artistas, políticos e youtubers.Críticos apontam ainda que as reações muitas vezes alcançam dimensões desproporcionais ou se dão sem base em fatos.