Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2020
A Grécia Antiga foi palco dá busca pela excelência no que concerne ao físico ideal e sua imagem sem defeitos estéticos. Hodiernamente, na sociedade contemporânea as questões do corpo perfeito ficam em segundo plano, uma vez que, com o advento das redes sociais, questões como racismo, misoginia ou debates homoafetivos são fatores mais relevantes para a coletividade. Nesse sentido, a presença da internet fez surgir a cultura do cancelamento, que não admite erros na rede e decorre de duas vertentes principais: as relações virtuais são frágeis e sem resiliência, assim como, certos grupos julgam o certo e errado no ciberespaço.
Precipuamente, é fulcral pontuar que interações em redes sociais são voláteis e não se restauram quando erros são cometidos. Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua teoria da “modernidade líquida”, as relações coletivas são frágeis e sem solidez, o que torna o corpo social descartável a medida em que adversidades são impostas nas ligações interpessoais. Diante disso, é imperativo pontuar que consolidar os vínculos em meio virtual e saber lidar com as falhas individuais no contexto da internet, promove a capacidade de resiliência e, por conseguinte, auxilia os indivíduos a entenderem os erros cometidos e suas consequências para a sociedade.
Além disso, é necessário ressaltar que agremiações no âmbito do ciberespaço promovem juízo de valor. De acordo com a rede televisiva “BBC News Brasil”, em reportagem sobre o fenômeno da cultura do cancelamento, disserta que esse mecanismo utilizado é prejudicial a sociedade e a individualidade, como ocorreu, por exemplo, com o estadunidense Emmanuel Cafferty, ao qual foi exposto no “Twitter” por fazer referência à supremacia racial com um gesto, mas que comprovadamente se tratava de um movimento fora de contexto, porém devido a ocorrência de eliminação sofreu com ameaças, perda de emprego e aumento de ansiedade. Nessa ótica, é válido indicar que uma interpretação errada um episódio na vida fora das redes sociais, contribui para o massacre vivido na internet, e assim sendo, têm o potencial para aumentar os anseios vividos na sociedade.
Portanto, infere-se que ainda há entraves que consolidem a resolução da problemática. Dessarte, urge que os empresários possuidores dos Direitos das redes sociais, por intermédio do “Twitter”, “Instagram”, “Whatsapp” e “Facebook”, crie propagandas informativas, com o intuito de conscientizar à população a respeito dos perigos que uma exclusão indevida e irracional pode ocasionar na vitalidade do indivíduo, a fim de que os anseios da cultura do cancelamento não se polarize e torne-se algo nocivo ao corpo social. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, os problemas de anulamento e as questões de perfeição será relativo apenas a Grécia Antiga.