Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
A cultura do cancelamento visava promover a conscientização e debates nas redes sociais sobre assuntos relevantes - tal como racismo e homofobia -, além de buscar expor os casos de violência e seus agressores, com o objetivo de incentivar as vítimas a denunciarem. Entretanto, esse movimento não ocorre conforme as ideias propostas inicialmente, visto que as pessoas transformaram-se em juízes das ações alheias. Portanto, é valido afirmar que essa corrente é ineficiente como método de punição e, por consequência, desumaniza as pessoas canceladas.
Cabe mencionar, em primeiro plano, que a cultura do cancelamento é utilizada como estratégia de boicotar e expor indivíduos que apresentam atitudes consideradas reprováveis pelos internautas o que, consequentemente, exclui os “cancelados” do âmbito social e virtual. Conforme a Constituição Federal: “ninguém é considerado culpado até o trânsito julgado de sentença penal contraditória”, entretanto, na internet, todos são culpados e merecedores de uma repreensão, o que não condiz com a Lei. Portanto, tal situação é semelhante ao sistema penitenciário brasileiro, cujo o objetivo não busca a educação e reintegração dos culpados, mas apenas a exclusão social dos mesmos.
É válido ressaltar, em segundo plano, que a abordagem dos internautas é, por vezes, agressiva o que, por conseguinte, ocasiona a desumanização das pessoas canceladas. Analogamente, durante a Idade Média os indivíduos que não seguiam as doutrinas impostas pelo clero da época eram perseguidas e maltratadas. Dessa forma, diversos cidadãos eram desprezados e excluídos, tal como os cancelados são tratados na sociedade contemporânea, visto que tem sua liberdade de expressão limitada e, em algumas situações, são vítimas de linchamento virtual por meio de discursos de ódio e difamações.
Em suma, é imprescindível que a cultura do cancelamento seja reanalisada, visto que gera consequências negativas para a sociedade. Portanto, o Ministério da Educação (MEC) deve, por meio de verbas governamentais, promover campanhas nas esferas midiáticas que visem conscientizar as pessoas dos malefícios da cultura do cancelamento, a fim de auxiliar os usuários a denunciarem formalmente qualquer transgressão aos direitos humanos por meio de sites voltados especificamente para isso, como o Safernet. Assim, a ocorrência desse movimento diminuirá juntamente com os linchamentos virtuais.