Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2020
Conforme Platão, filósofo grego: “O importante não é viver, mas viver bem.” Segundo ele, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa a da própria existência. Porém, na prática essa é uma lógica difícil para os cidadãos, principalmente na atual época da cultura de cancelamento, onde o respeito é falho e os julgamentos são crescentes. Assim, faz-se preciso verificar o papel fundamental do Estado e suas ações perante a situação, que torna-se cada vez mais desafiadora.
A prinícipio, a Constituição Cidadã de 1988 garante o bem-estar como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso desse, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para sua formação e proteção. Contudo, o Poder Executivo não efetiva esse direito, visto que não administra de fato os interesses públicos e não cumpre as ordenações legais, assim, a lei não funciona na prática. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Logo, verifica-se que esse conceito se encontra deturpado no país, uma vez que urge maior atenção no que diz respeito aos ataques midiáticos com a população brasileira, e sua atual política de cancelamento, onde poucos preferem ouvir, entender e formar uma opinião antes de atacar.
A saber, um dos exemplos recentes da cultura do cancelamento nas redes sociais foi ocorrido com uma digital influencer do mundo fitness que, durante a pandemia e o isolamento social, meses após ser diagnosticada e “se curar” do coronavírus, reuniu alguns amigos em sua casa, fazendo publicações da “festinha”. Por causa disso, a anfitriã foi imediatamente cancelada nas redes sociais, com a consequente perda de diversas parcerias e rescisão de contratos. Ademais, mesmo com pedido de desculpas e reconhecimento do erro, o cancelamento se manteve. Nesse contexto, observa-se que o tribunal da internet não realiza seus julgamentos com igualdade e proporcionalidade, pois deixa de discutir idéias e passa a discutir pessoas ou empresas. Além de quê, é muito tênue a linha entre crítica construtiva e o ataque revestido de ofensas.
Ante o exposto, faz-se necessário que o Poder Executivo invista nas prefeituras das cidades, por meio de verbas governamentais, para que essas promovam campanhas públicas de combate às críticas desrespeitosas. Bem como, desenvolvam palestras de conscientização à diferença de opiniões, para apresentar em todas as escolas da cidade. Assim, mitigará o problema da cultura de cancelamento, e consequentemente, dessa maneira poder-se-á viver conforme a lógica de Platão.