Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2020
Na idade média a Santa Inquisição foi, verdadeiramente, a manifestação vil do que se dizia ser a " justiça divina na terra". Contudo, hoje se sabe que a prática efetuada à época era marcada por injustiças e ausências de explicações dos réus julgados injustamente. Da mesma forma, a cultura do cancelamento, ato de boicotar alguém por ter feito algo que não condiz com a opinião comum, tem se tornado similar, pois amplifica o poder de quem “cancela” e mitiga a voz de quem é “cancelado”.
Em primeiro lugar é importante frisar que a dinâmica digital ,nos últimos anos, alterou a influência midiática. Em uma pesquisa feita pelo Google sobre quais pessoas influenciam mais a sua opinião revela que 20% são os youtubers, mais do que jornalistas e noticiários, com 19,1%. Isso demonstra a fragilidade da opinião comum, pois é influenciada e polarizada pela subjetividade de pessoas comuns, que não possuem qualificações profissionais para fazerem críticas imparciais.
Sob outro aspecto, é notório que a falta de expressão de quem foi afetado e estigmatizado de forma indevida, nos círculos sociais, torna a sociedade unilateral e impassível de mudanças. Consoante Ayn Land, escritora russa, " aqueles que negam os direitos individuais não podem se dizer defensores das minorias". Dessa forma, emerge a necessidade do alinhamento das notícias propagadas indevidamente com os direitos individuais, a saber, o direito à imagem, respeitabilidade e boa fama.
Logo, urge que medidas sejam tomadas para resolver a problemática. Para isso, o Ministério da Educação, responsável pela temática no país, deve divulgar, nas escolas, o conhecimento sobre direitos dos indivíduos na era digital e as consequências da violação destas, por meio de debates e palestras com especialistas em direito digital e penal, para que haja mais esclarecimento sobre o tema. Tal medida visa aumentar a empatia e o respeito, nos círculos sociais, evitando, por fim, a cultura do cancelamento.