Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/09/2020

É inegável que a cultura do cancelamento tem gerado debates no Brasil contemporâneo e, assim como o cyberbullying, a prática do cancelamento também possui consequências fora da internet. Certamente, é notório que essa realidade proporciona alguns males à atual conjuntura digital e social. Sem dúvidas, esse padrão problemático pode desgastar as relações interpessoais e minar o direito de expressão, tornando indivíduos cade vez menos suscetíveis à debates e ao aprendizado.

É importante pontuar, de início, que o comportamento arbitrário de invalidar uma pessoa a partir de uma única perspectiva, sem chance de discussão é, com certeza, um agravante desse cenário.  Desse modo, entra em cena um famoso termo cunhado pelo Zygmunt Bauman: modernidade líquida. O pensador elabora que, devido à internet, as relações interpessoais têm se tornado cada vez mais frágeis, de maneira que, cada vez mais, não apenas os relacionamentos, como também as esferas sociais, tornam-se mais volúveis e quebradiças. Nessa perspectiva, percebe-se que a cultura do cancelamento possui características latentes relativas a modernidade líquida, pois parte de uma prerrogativa em que não há local para reconsideração ou aprendizado, o cancelamento é unânime e irredutível.

Vale ressaltar, também, que a prática do cancelamento faz com que o âmbito midiático seja cada vez mais hostil e torna figuras públicas temerosas em efetivamente expor o que pensam, cerceando a liberdade de expressão. Inicialmente, a liberdade de expressão é assegurada pela Constituição Federal, levando em conta que esse aspecto é imprescindível para a manutenção da democracia. Todavia, a possibilidade de uma má interpretação aflige comediantes, influenciadores digitais, artistas, jornalista etc, pois não existe debate ou possibilidade de evolução nesse contexto, e o que supostamente seria para proporcionar melhora, apenas torna o meio digital cada vez mais polarizado e inamistoso.

Portanto, é notável que a cultura do cancelamento proporciona males para o atual contexto ditital e social. Em suma, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia criar uma campanha de sensibilização acerca do debate saudável, assim como a necessidade de uma construção crítica embasada e construtiva, por meio de vídeos que deverão ser veiculados no âmbito digital, tendo em vista que o público alvo é usuário recorrente das redes sociais. Afim de conscientizar a população brasileira sobre a necessidade de um ambiente que possa proporcionar discussões e aprendizado. Somente assim, a cultura do cancelamento poderá dar lugar a um contexto propenso ao aprendizado.