Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 10/09/2020
Com o advento da Revolução Técnico-Científico-Informacional, o mundo passou a conhecer o conceito de globalização na prática, através da transmissão de informações pela internet. No entanto, com a evolução e criação das redes sociais os julgamentos começaram a ser disseminados de forma extremamente agressiva. Dessa forma, a população começou a criar repúdio contra as pessoas que fizessem ações consideradas “erradas”. Diante disso, é imprescindível debater acerca da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea e suas consequências.
Em primeiro lugar, as expectativas criadas sobre à sociedade brasileira são inalcançáveis. Nesse contexto, a frase proferida pelo filósofo Teodor Adorno,” A mídia cria certos estereótipos que tiram a liberdade de pensamento dos espectadores, faz alusão a realidade do corpo social, que por influência do padrão social imposto nas redes, cobram os outros e a si mesmo para estar dentro do esperado. Isso ocorre, pois as pessoas estão cada vez mais expondo suas vidas, fazendo com que os indivíduos se sintam no direito de cancelá-las quando atitudes adversas são feitas. Logo, cidadãos que sofrem essas repressões são mais propensos a sofrerem diversos problemas, como ansiedade e depressão.
Ademais, na modernidade a possibilidade de ser anônimo nas redes ajuda a repercussão de discursos de ódio. Nesse sentido, no livro “Sociedade do Espetáculo” do filósofo Guy Debord, é explicitada sua Teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre darem o melhor show uma para as outras. A Teoria se comprova correta quando comparada com o comportamento do corpo social na contemporaneidade, no qual muitas vezes por causa da cultura do cancelamento não postam sua verdadeira vida com medo do julgamento de pessoas. Dessa maneira, os usuários são iludidos com realidades que não existem. Assim, é evidente o problema na cobrança de ações e corpos que são perfeitos e não é real.
Diante dos argumentos apresentados, nota-se a necessidade de medidas que melhorem o convívio da população nas redes. Portanto, o Ministério da Educação deve auxiliar no ensinamento dos estudantes sobre o prejuízo social existente no impulsionamento da cultura do cancelamento, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputado. Posto isso, nele precisa constar a obrigatoriedade das escolas proporcionarem além de pelo menos um profissional da psicologia para ajudar os alunos, também palestras sobre habilidades socioemocionais e comportamentais nas redes sociais. Então, esses aprendizados serão passados por especialistas no assunto para adolescentes do sexto ao terceiro ano do ensino médio. Espera-se, com essas providências, a cada geração que passar as crianças já cresçam com valores e aprendizados mais respeitosos.