Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 07/09/2020
Apesar do processo de globalização ter ocasionado em vários fatores primordiais para a integração mundial, tal avanço também trouxe sérios aspectos no meio virtual, uma vez que o comentário de um indivíduo é visualizado e julgado por diversas pessoas ao redor do mundo. Nesse contexto, é certo que a publicação de um internauta pode ser mal interpretada por um grupo de pessoas e ter seu perfil atacado por mensagens de ódio, assim, a cultura do cancelamento vai de encontro à liberdade de expressão do cidadão. Contudo, percebe-se que algumas manifestações e discussões digitais são válidas para constatar atitudes criminosas, como, por exemplo, comportamentos racistas.
A princípio, nota-se que a garantia sobre a autonomia de se expressar não é totalmente cumprida no cenário digital contemporâneo, posto que a prática do cancelamento resulta em xingamentos e perseguições contra as pessoas. Sob esse viés, tal cultura é contrariada por Voltaire, iluminista francês, que acreditava que todo indivíduo têm o livre-arbítrio de fala, cabendo ao Estado assegurá-lo. Diante do exposto, na prática, observa-se a deturpação dessa ideia, haja vista que a internet foi transformada em uma esfera de propagações de ódio e de ataques pessoais, desse modo, gerando um receio nos internautas em ser o próximo cancelado pela sociedade contemporânea. Destarte, ações são cruciais para alterar esse cenário distópico de privação coletiva.
Por outro lado, é pertinente abordar que certos movimentos no meio cibernético são essenciais para evidenciar atitudes criminosas, já que tais ações violam a jurisprudência governamental. Vinculada a essa concepção, a Constituição Federal de 1988 prevê o direito à liberdade de expressão, porém o indivíduo é responsável por todas as ações e falas disseminadas, de modo que é função dos órgãos estatais exercerem a lei nas infrações virtuais. Dentro desse contexto, compreende-se a relevância das manifestações, oriunda da cultura do cancelamento, na sociedade atual, com o intuito de identificar condutas criminosas para o poder público e facilitar a justiça social. Enfim, é fato que esses protestos são, até certo ponto, necessários para auxiliar a efetivação das legislações brasileiras.
Faz-se imprescindível, portanto, medidas para mitigar os impactos causados pela cultura do cancelamento na conjuntura contemporânea. Logo, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações eliminar as perseguições e xingamentos no espaço cibernético, por meio de programas de denúncias virtuais, que serão disponibilizados para todos os usuários, a fim de reduzir a hostilidade na internet e assegurar o direto à liberdade de expressão dos cidadãos. Ademais, compete ao Ministério de Estado da Justiça e Segurança pública julgar as infrações do espaço digital, mediante a incentivação de explicitar essas atitudes, com o propósito de combater os delitos nesse meio tecnológico.