Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 13/09/2020

A premiada obra “Thirteen Reasons Why” retrata a narrativa de uma jovem, Hannah Baker, que, ao passar por uma série de frustrações sociais, recorre ao suicídio. Analogamente, com a ascenção crescente das mídias sociais, a busca - e cobrança - pela perfeição se faz constante. Isso, atrelada à exclusão social, traz à tona a necessidade do debate sobre a Cultura do Cancelamento na sociedade contemporânea.

Em primeiro plano, vale expor a ideia defendida por Immanuel Kant, de que as pessoas devem agir perante a máxima que gostariam de ver transformada em lei universal. Sob essa óptica, a cobrança constante pela perfeição entra em um mérito pouco comentado: a inevitabilidade do erro. Desse modo, ao “cancelar” alguém, o indivíduo parte do princípio da impossibilidade do aprendizado - que é caracterizado por Anísio Teixeira como pilar principal da vida.

Por conseguinte, a Cultura do Cancelamento gera uma exclusão - denominada pelo sociólogo Howald Becker de “Periferia Social”. Assim, indivíduos que habitam a Periferia Social tendem, então, a se sentirem frustrados por um erro potencialmente singular e, muitas vezes, mal interpretado. Além disso, essa exclusão pode gerar uma série de problemas à pessoa “cancelada”, como a depressão.

Tendo isso em vista, é notória a influência negativa que a Cultura do Cancelamento exerce sobre as pessoas. Portanto, as grandes mídia sociais - Twitter, Instagram, entre outros - devem promover uma campanha que normalize a imperfeição e pregue o aprendizado pacífico. Isso deve ser feito por meio de propagandas nas próprias plataformas, visando uma conscientização de seus usuários e, assim, evitando desfechos como o da Hannah Baker.