Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/09/2020

Com a democratização do acesso à internet e a explosão do uso das redes sociais, a forma com as pessoas falam, se expressam e se informam tornou-se ainda mais dinâmico, levando poucos minutos até uma notícia viralizar. Contudo, a instantaneidade com que as informações se dissipam na rede gera simultaneamente um problema que tem se agravado nos últimos anos, a cultura do cancelamento. Diante de tais fatos, fica clara a necessidade ao combate a essa problemática social, visto que tem sido utilizado na maioria das vezes para prejudicar pessoas.

A priori, a cultura do cancelamento surgiu como um meio de expor injustiças sociais e consequentemente punir o acusado de praticar tais atos. No entanto, tornou-se um linchamento sem direito a defesa, um julgamento que leva a sérias consequências e torna cada um dos envolvidos juiz e executor da sentença. Segundo uma reportagem publicada na revista Veja, esse tipo de comportamento intensificou-se massivamente no ano de 2019, colaborando para uma radicalização na rede e convergindo para um cenário preocupante ao que se refere a sociedade hiperconectada.

Outrossim, o filosofo polonês Zygmunt Bauman ressalta em sua obra Modernidade Liquida, que as relações sociais tornaram-se frágeis com o tempo, passiveis do rompimento caso ocorra qualquer desvio de conduta social. Isso sintetiza que o simples ato de postar uma foto nas redes sociais com um animal não domesticado, pode significar uma atitude que fere a conduta moral ou o politicamente correto, acarretando o cancelamento dessa pessoa sem ao menos dar a ela o direito de defesa. Tais circunstâncias ressaltam a necessidade do combate a essa cultura tóxica.

Portanto, fica clara a necessidade do combate a essa anomalia social. Para isso, as plataformas de redes sociais devem investir no aperfeiçoamento da Inteligencia Artificial, com o intuito de identificar pessoas que usam do ativismo para disseminar a cultura do cancelamento contra pessoas que não tiveram seus direitos de defesa respeitados, e são linchados na rede. Somado a isso, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva cartilhas e vídeos a serem distribuídos nas escolas, com o objetivo de alertar sobre os riscos dessa prática de cancelamento, e também conscientizar a geração hiperconectada sobre a necessidade da erradicação desse problema social grave. Somente assim será possível reverter esse cenário tão preocupante.