Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 05/09/2020

Silenciar, julgar, amedrontar. Essas são algumas palavras que podem caracterizar a cultura do cancelamento na atualidade. Tal situação é resultado inegável da imposição do que é considerado politicamente correto na sociedade, fazendo com que os que não são sejam excluídos. Nesse contexto, deve-se analisar como a opressão das liberdades individuais e a mídia influência na questão.

Primeiramente, é importante destacar que as liberdades individuais e de expressão têm sido frequentemente oprimidas na era do cancelamento. Isso acontece porque, em um mundo altamente plural, pensamentos contrários podem ser vistos como equivocados, fugindo do padrão pré-estabelecido por aqueles que os “julgam” como adequados ou não. Sendo assim, tais atitudes divergem do que o filósofo Voltaire defendia, considerando justa a liberdade de pensamento e expressão, respeitando, assim, qualquer opinião, ainda que não fosse necessariamente a dele.

Além disso, a mídia assumiu um papel importante na difusão da cultura do cancelamento. Esse cenário ocorre pois, os meios mediáticos, atrelado às principais redes sociais, são palco da maioria dos “cancelamentos”, uma vez que esses veículos aproximaram os indivíduos e, consequentemente, as suas opiniões. Por consequência disso, tuítes, postagens, comentários e notícias fazem parte de uma rede de engajamentos que gera lucro, visualização e, acima de tudo, manipulação dos internautas. Assim, como o escritor George Orwell destacou em sua célebre obra “1984”: “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”.

Sendo assim, tornam-se necessárias medidas para mitigar a cultura do cancelamento. Em razão disso, a própria mídia, em parceria com as redes que a abrangem (Facebook, Twitter e etc.) devem inverter seus papéis de agentes canceladores e atuar contra essas ações, investindo em campanhas publicitárias e engajamento daqueles que, por algum motivo, tiveram suas falas vetadas. Só assim, essa cultura deixará de ser uma realidade na contemporaneidade.