Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 05/09/2020
O filme “Cyberbully” apresenta uma garota de 17 anos, que ganha um notebook de presente da mãe no seu aniversário. Com isso, ela começa a sofrer ataques virtuais dos seus colegas de turma, chegando ao ponto de tentar se matar. O longa-metragem faz relação com a sociedade contemporânea, em que se instalou uma cultura do cancelamento nas redes sociais, onde pessoas atacam outras por sua forma de pensar e/ou agir. Então, cabe pontuar a ascensão da tecnologia e a impunidade contra crimes virtuais como os principais fatores para a propagação dessa problemática.
Sob esse viés, é evidente o papel do avanço da globalização para a disseminação de discursos de ódio, sobretudo na internet, que é o principal meio em que tais ações ocorrem. De acordo com a compositora Libby Larsen, o grande mito da modernidade é que a tecnologia é comunicação. Seguindo por essa perspectiva, os meios virtuais de comunicação são utilizados substancialmente para linchamento, em que os indivíduos são expostos, na maior parte dos casos, devido às divergências de opiniões ou a algum ato errado que este cometeu. Além disso, por se tratar de milhões de pessoas compartilhando e comentando, é improvável que a notícia saia do ciberespaço. Logo, essa exposição compromete tanto o futuro quanto a saúde psicológica dos sujeitos exteriorizados.
Ademais, a falta de punição contra pessoas que cometem crimes na internet é um grande entrave para o combate à cultura do cancelamento no mundo. Segundo dados da Norton, cerca de 42 milhões de brasileiros foram vítimas de cibercrimes em 2016, e esse número é 10% maior comparado ao ano de 2015. Isso ocorre principalmente em razão da dificuldade de investigação na web, em que o anonimato predomina, e as pessoas não sentem medo de serem intimadas. Outrossim, por não haver limites de distância, os criminosos do âmbito virtual podem, também, agir de outros países, onde as leis são diferentes. Portanto, os malfeitores se sentem encorajados e não têm intenção de parar de praticar o “cancelamento” nas mídias digitais.
Em virtude dos fatos mencionados, é indiscutível que medidas devem ser tomadas para solucionar este problema. Desse modo, o Ministério da Educação em conjunto com o Ministério da Tecnologia, deve criar campanhas para orientar à população sobre o uso responsável dos meios tecnológicos e a tolerância na internet. Tal ato deve ocorrer por meio de palestras e debates, em instituições de ensino da rede federal e estadual, aberto para toda a comunidade que deseja participar. Dessa forma, os cidadãos desenvolverão a compreensão com pessoas que pensamentos divergentes e, também, a consciência de que o linchamento virtual nunca é a melhor opção.