Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 19/09/2020

Na série " The 100" é retratado o banimento social do personagem Murfh, após esse ter cometido diversos atos desrespeitosos e imorais contra os outros indivíduos integrantes do acampamento, nos quais viviam. De maneira análoga ao seriado, no Brasil contemporâneo, os casos de pessoas que se utilizam de um tom agressivo para expor e repudiar outro indivíduo pela uma ação errada cresceram nos últimos anos, que ficou conhecida como cultura do cancelamento, configurando um quadro preocupante para o desenvolvimento do país. Isso se evidencia não só pela maior a acessibilidade aos meios digitais como também pela negligência governamental.

Em primeira análise, destaca-se a facilidade ao meio virtual como um dos agravantes para a persistência do impasse. De acordo com pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, a cada dez pessoas sete possuem acesso a internet para utilizar a rede social, visto que com avanço da tecnologia possibilitou que uma grande parcela da população se tornasse uma forma de inserção às redes sociais e, consequentemente, favorecendo discursos de ódio no meio de interação digital. Desse modo, tal panorama retarda a resolução da problemática, já que a acessibilidade aos meios tecnológicos com fito de hostilizar outro indivíduo contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Em segunda análise, evidencia-se a inoperância governamental como impulsionador do problema. Segundo Tomas Hobbes, filósofo inglês, o Estado surge como interventor com objetivo de garantir os direitos naturais. Tal pensamento, no entanto, não se faz presente no mundo virtual, uma vez que a ausência de políticas públicas direcionada a criação de leis para coibir a população nas redes sociais possibilitou um “o novo mundo” as quais os indivíduos se utilizam da inexistência de normas legislativas para promover julgamentos sociais por discordar  da atitude do envolvido e, dessa forma, propiciando atos de intolerância à vítima. Desse modo, essa lógica comportamental de coerção de alguns indivíduos comprova a importância de conter a repressão em detrimento dos valores humanos.

Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas para a resolução social da cultura do cancelamento no Brasil. Nesse viés, as emissoras de televisão, justamente com o Poder Executivo, devem promover projetos para o desenvolvimento de leis para as redes sociais no intuito de minimizar os discursos de ódio e debater sobre a importância do prevalecimento do respeito de opinião mútuo no intuito de garantir o direito a liberdade expressão, por meio de programas ministrados por especialista na área digital, com auxílio de campanhas e propagandas divulgadas nos horários nobres dos veículos comunicativos. Espera-se, com isso, repassar para a população formas de amenizar essas eventualidades e, assim, impedir a materialização do seriado " The 100" na sociedade brasileira.