Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 08/09/2020
O movimento Black Lives Matter surgiu mundialmente após o assassinato de um homem negro, devido a violência policial nos Estados Unidos, diversas pessoas se juntaram a campanha virtualmente. A cantora mexicana Dulce María, ao apoiar em seu perfil no Twitter, sofreu uma série de ataques por utilizar a hashtag incorreta, sendo reprimida por diversos internautas. A questão da cultura do cancelamento é fruto de um processo de desconstrução ou linchamento virtual?
Primeiramente, é importante ressaltar que a maior parte do “cancelados” são famosos que possuem algum tipo de influência no meio digital. A justificativa se dá através do julgamento que muitas vezes se mostra seletivo. A exemplo, a influencer Vivi Wanderley recebeu diversas ameaças após ter sido cancelada por quebrar a quarentena em meio a pandemia do coronavírus, em contrapartida, o cantor Gustavo Lima fez shows com a participação de outros artistas e não enfrentou críticas de modo igual a citada anterior.
Ademais, na contemporaneidade torna-se evidente o combate a antigos costumes, como menos tolerância ao racismo, piadas machistas, dentro outros. Fazendo-se então necessário uma quebra de hábitos caracterizando um método de desconstrução. Ao ser cancelado na internet, espera-se que o indivíduo reconheça o erro e mude de postura. No entanto, muitas pessoas utilizam o cancelamento para boicotar e praticar o linchamento virtual.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para combater a cultura do cancelamento, o Ministério dos Direitos Humanos deve promover juntamente com os veículos de comunicação campanhas de conscientização para prevenir ameaças virtuais, enfatizando os perigos psicológicos que o linchamento pode causar ao indivíduo, a fim de que haja uma reversão nesse cenário. Somente assim será possível que menos ataques ocorram, como aconteceu com a cantora mexicana.