Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/09/2020
Depreende-se da Grécia Antiga indícios da democracia ocidental, a qual era pautada por debates entre os cidadãos na Ágora. Analogamente, os meios digitais, como o twitter, são palco de frequentes discussões, o que facilitou a participação popular nos âmbitos político e social. Contudo, com o advento da “cultura do cancelamento”, tal progresso democrático encontra-se fragilizado, uma vez que provoca o linchamento virtual do cancelado, além de gerar intolerância elencada na concepção de inércia do Estado, o que contradiz à própria doutrina.
Sob esse viés, é possível associar o cancelamento moderno à In-quisição da Idade Média. Nesse contexto, o indivíduo detentor do engajamento virtual possui o domínio em sentenciar ao “cancelamento” aqueles que julga como inaceitáveis. A exemplo, o caso do ex-bbb Felipe Prior, o qual diante de atitudes machistas, foi duramente criticado, e ao se retirar do reality deparou-se com uma severa censura por meses, a qual o impossibilitou de argumentar. Nesse sentido, o mecanismo utilizado apresenta-se prejudicial à noção de sociedade democrática.
Á vista disso, tal cultura limita os meios digitais para discursos intolerantes de julgamento, entendido pelos usuários, como forma de justiça. Diante disso, segundo a teoria de consciência coletiva do sociólogo francês Emille Durkheim, um conjunto de característica e conhecimentos comuns em uma sociedade, faz com que os indivíduos pensam e ajam de forma semelhante. Nessa ótica, no Brasil, a deflagração do judiciário em punir atos preconceituosos e intolerantes propicia um senso comum onde a lei perdeu sua força, e com ela o próprio Estado.
Portanto, infere-se que ainda há entraves na resolução da proble-mática. Destarte, urge que a Secretaria dos Direitos Humanos em conjuntura ao Ministério da Justiça, promovam à conscientização, por meio de palestras onlines, sobre os impactos, altamente nocivos à democracia, derivados da cultura do cancelamento. Isto posto, as censuras da Idade Média ficará disponível na internet apenas como conhecimento histórico.