Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 03/09/2020
Segundo o filósofo Rousseau, “o homem nasce livre, mas vive preso na sociedade”. Nessa perspectiva, fica evidente a interdependência entre as pessoas em obter aprovação alheia pelos seus atos praticados, e assim, fazer parte de um corpo social padronizado. Percebe-se em pleno século XXI, atitudes de repressão ao comportamento individual não normatizado, principalmente nas redes online. Dessa forma, constata-se que o cancelamento social é uma problemática persente na sociedade moderna, não só pela limitação mediante um posicionamento crítico pessoal, como também às perseguições desses indivíduos nos espaços privados. Em primeira análise, nota-se um cerceamento à liberdade de expressão nas redes sociais. Nesse âmbito, conforme o psicanalista Sigmund Freud, em sua teoria do superego, regras sociais não nascem com o indivíduo, mas são passadas pela sociedade como forma de viver corretamente nela. Sob tal ótica, verifica-se a tendência da superficialidade e homogeneidade nos assuntos discutidos pelas pessoas nos veículos de comunicação da internet, nos quais constatam-se um constante medo de assumir postura crítica sob determinado assunto, com o receio de vir a ser questionado, criticado ou até mesmo ridicularizado perante à população.
Outrossim, vale salientar que pessoas que sofrem esse tipo de linchamento online, na sua maioria, têm a vida privada maculada. Nesse sentido, consoante ao jornal Folha de São Paulo, em 2019, a atriz Alessandra Negrini foi tida como cancelada, por aparecer vestida de indígena. Nessa abordagem, a comunidade consumidora das mídias, confundem a vida real com um reality show, no qual podem criticar, punir e anular os integrantes de acordo o seu ponto de vista, sob uma visão limitada dos fatos e sem nenhum ressentimento das suas consequências. No entanto, essas atitudes repressoras, causam grandes problemas, que podem se desdobrarem na perda do emprego, em quadros críticos de depressão e até mesmo a desestruturação familiar. Logo, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada.
Portanto, para que haja um esclarecimento da população nas questões relacionadas à problemática referente a cultura do cancelamento, é imprescindível esforço coletivo entre o Estado e a sociedade. Dessa maneira, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições midiáticas, propor projetos que promovam a reeducação sociocultural, nos quais contemplem temas sobre ética nas redes sociais, mediante campanhas educacionais, veiculadas através da internet, palestras em escolas e livros didáticos, com intuito de mitigar as atitudes de linchamento nos meios de comunicação online. Por tudo isso, será possível que a sociedade respeite o direito de livre expressão individual.