Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 16/09/2020
Pawel Kuczynski, ilustrador e desenhista polonês, mostra em suas obras um meio social injusto, falido e com valores distorcidos. De maneira análoga às intenções artísticas do polaco, a cultura de cancelamento hodierna é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a relevância da discussão dessa temática, seja pela importância de garantir uma chance de evolução para o indivíduo cancelado ou pelo desencadear de anomalias estruturais na contemporaneidade.
Em primeira análise, é essencial destacar que devido aos constantes boicotes virtuais, as pessoas estão começando a notar que a liberdade de expressão implica responsabilidade coletiva. Entretanto, apesar disso constar como ponto positivo, os fatos negativos são mais graves e demonstram o quão arriscado é esse hábito, visto que, em muitas ocasiões ocorre a disseminação de Fake News, agressões verbais e destruição da reputação do cancelado. Isso, sem conceder um espaço para o debate, de modo que falta oportunidade para falar e escutar os diferentes pontos de vista. Sendo que de acordo com A. Schopenhauer " os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo". Fato esse, mantenedor de repertórios alienados e limitados para o sujeito acusado em questão.
Destarte, cresce entre a comunidade o sentimento de intolerância, já que os atores sociais não se escutam. Tendo isso em vista, configura-se um Estado de Anomia, que conforme explicita Durkheim, é a ausência de regras. De modo a gerar a patologia supracitada. Contudo a Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - assegura a todos o direito à igualdade e o bem- estar. À vista disso, é notório que se o cumprimento dessa regulamentação é o objetivo, o Governo precisa intervir e fomentar a tolerância entre os cidadãos.
Infere-se, portanto, a imprescindibilidade de urgência na tomada de medidas para resolução da problemática. Assim, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Congresso Nacional, promover a divulgação de conhecimentos sobre os riscos dos cancelamentos e da necessidade de resolver as discordâncias pelo diálogo, além de penalizar os propagadores de notícias inverídicas e agressões na rede. Por meio da distribuição de folhetos, cartilhas e livros que abordem esse assunto e ainda, da criação de leis mais específicas para o espalhamento de mensagens falsas e de crimes online. Com o fito de aliviar tensões no país e, por conseguinte, asseverar um futuro mais harmônico e saudável.