Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 03/09/2020

A Terceira Revolução Industrial permitiu que no final do século XX, a sociedade transitasse da era industrial para era digital. Desse modo, um cenário que implicou em inúmeras mudanças na vida do ser humano. Como se observa na disseminação das redes sociais, tanto que tais meios, na contemporaneidade, dita um cultura de cancelamento. No entanto, percebe-se que essa cultura ao dialogar com o mundo real pode fomentar o crescimento social, mas também a intolerância . Diante disso, faz necessário debater sobre esse comportamento.

Em primeiro lugar, conforme o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada com um corpo biológico, por ser assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Sob tal prisma, é que se verifica a impossibilidade de debater a cultura de cancelamento sem analisar a atual postura do corpo social, uma vez que tal interação inviabiliza que os comportamentos sejam compreendidos de forma isolados. Prova disso é que o repúdio dos usuários, das redes sociais, em relação à opiniões machistas e racistas, por exemplo, refletem o avanço dos ideais feministas e da consciência negra no tecido social. Desse modo, percebe-se que atitudes no ambiente virtual e no mundo real são complementares.

Além disso, seguindo tal linha de pensamento, também observa-se que esse cenário de cancela-mento pode proporcionar, em contrapartida, o avanço da intolerância na sociedade. Isso se deve ao fato de que o indivíduo fica propício a concordar apenas com os posicionamentos parecidos ao seu e recriminar aqueles que divergem. Ademais, essa postura já foi elucidada pelo sociólogo Sergio Buarque de Holanda, em seu livro “Raízes do Brasil”, no tocante ao “homem cordial”, o qual movido pela emoção ignora a razão e, assim, consegue ser, ao mesmo tempo, amável com seu semelhante e agressivo com aquele que se diferencia dele. Dessarte, nota-se a necessidade de valorizar a razão na cultura do cancelamento.

Logo, é preciso a atuação das escolas a fim de fomentar uma sociedade que racionaliza as suas ações. Para tanto, o Ministério da Educação fomentará um projeto educacional que busca um cultura de cancelamento benéfica ao corpo social. Nesse viés, tal programa contará com palestras e debates realizados por sociólogos e psicólogos, em que, mediante um estudo histórico e psicológico do “homem cordial”, demonstrarão aos alunos os perigos oriundos de um indivíduo guiado pela emoção, com o propósito de construir um corpo social capaz de se posicionar em relação as injustiças sociais, sem se tornar intolerante as diversidades de opinião inerente à população.