Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 04/09/2020
O filósofo Sartre defende que o ser humano deve escolher seu modo de agir e pensar, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade e a negligência da sociedade no que tange à questão da falta de debates sobre a cultura do cancelamento no cenário contemporâneo. Nesse sentido, se evidencia um problema grave, que persiste não só pela falta de empatia, mas também pela irracionalidade coletiva.
Em primeira análise, a falta de empatia mostra-se como uns dos fatores determinantes para a difícil resolução da problemática. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a sociedade contemporânea. é extremamente influenciada pelo individualismo. Nesse sentido, a tese de Bauman pode ser comprovada na cultura do cancelamento, posto que, muitas vezes, o indivíduo contemporâneo age de maneira antipática e individual, visando apenas os seus interesses e, consequentemente, propagando discursos agressivos nos diversos âmbitos sociais. Desse modo, é imprescindível a alteração desse quadro, que vai de encontro à violência e, posteriormente, à perseguição dos cidadãos que foram cancelados.
Além disso, outro ponto relevante nessa temática é a irracionalidade coletiva. Segundo Hegel, um dos filósofos mais importantes da história, a razão rege o mundo. No entanto, verifica-se a falta de pensamento racional da sociedade quando a questão é a cultura do cancelamento nas redes sociais. No cenário virtual, as informações são instantâneas e, muitas vezes, sem uma fonte confiável, o que corrobora com a emissão de opiniões irracionais e discursos agressivos dos usuários das redes. Logo, sem a presença de uma lógica que permite tomar decisões de bom senso, esse problema tem sua solução dificultada.
Portanto, medidas de intervenção são necessárias para a criação de debates eficientes sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Cabe ao Ministério da Educação promover palestras nas escolas, por meio de incentivos governamentais. As palestras teriam o intuito de expandir o conhecimento a respeito das consequências da cultura do cancelamento e visariam, principalmente, o incentivo a empatia na sociedade. O efeito disso seria a mudança da mentalidade social, contribuindo para o pensamento racional e, por fim, melhorando a convivência coletiva. Só assim, a cultura do cancelamento será, de fato, solucionada no cenário contemporâneo e, conforme dito pelo filósofo Sartre, o ser humano se tornará livre e responsável.