Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2020

A chamada “cultura do cancelamento” começou, com a intenção de direcionar a atenção da internet para causas, como justiça social e meio ambiente, há alguns anos atrás. Essa foi uma maneira encontrada de ouvirem a voz de grupos oprimidos. Mas será que “cancelar” resolve problemas estruturais como desigualdade? Além de que, as pessoas são vítimas do cancelamento apenas por terem opinião diferente ou dizerem algo errado.

Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos em virtude do individualismo e a má influência midiática. Em primeira análise, vale destacar que o “cancelar” só é aceitável no que diz respeito a rejeição, unicamente, de suas ações errôneas, de maneira civilizada e respeitosa. Entretanto, as pessoas confundem o que é você estar agindo por ignorância ou estar reproduzindo um preconceito por ser parte de um grupo privilegiado.

Todavia, é nítido que com a polarização em massa da internet, os indivíduos atuais gozam de informações amplas e, assim, consequentemente, são aptos para subjugar, por exemplo, diretrizes políticas ineficazes que afetam suas vidas de maneiras maléficas. Outro ponto relevante, nessa temática, é a má influência da mídia. O sociólogo Pierre Bourdieu diz que “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertida em mecanismo de opressão”. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, ao invés vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, influencia na consolidação do problema.

Os efeitos da cultura do cancelamento, no entanto, são em geral menos efetivos do que os “canceladores” poderiam desejar e do que os “cancelados” costumam alardear. Muitas vezes, é uma forma meio rasa que as pessoas encontram de tentar lidar com questões são estruturalmente muito complexas, já que dificilmente há algum impacto real em relação a manifestações virtuais que confrontam comportamentos ou falas.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que esse comportamento cibernético tenha fim, cabe ao governo federal, por meio de uma lei formal criar um órgão público que fiscalize de maneira eficaz as redes sociais. Por conseguinte, as publicações com conteúdo de ódio voltadas para o cancelamento devem ser excluídos, e o responsável por elas, banido temporariamente da plataforma. Além de ações nas próprias redes sociais, por meio da produção de vídeos de alertam sobre as reais condições da questão. Somente assim, é possível tornar a internet um local agradável e que preza pela saúde mental de seus usuários.